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| Marcelo Bauer |
Em 15 anos de experiência, o jornalista Marcelo Bauer passou pela revista IstoÉ , foi repórter e redator da Folha de S. Paulo e O Globo , além de chefe de reportagem de O Estado de S. Paulo . Na área digital integrou a primeira equipe de jornalismo on-line da Editora Abril e editou os portais UOL e Info.
Atualmente o profissional se dedica à produção de webdocumentários. Linguagem que, segundo ele, inaugura uma nova narrativa para a internet, por meio da junção de textos, áudios, vídeos, fotos e animações
No ano passado, Bauer criou seu primeiro webdocumentário, . Trabalho contemplado com menção honrosa na categoria Internet do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Além disso, Bauer foi premiado com a Bolsa Funarte de Reflexão Critica e Produção Cultural para a internet com a produção de um novo webdocumentário, o "Rio de Janeiro - Autorretrato".
Bauer falou ao Portal IMPRENSA sobre as principais características do webdocumentário, como ele tem sido utilizado no Brasil e no mundo, além das possibilidades de uma nova narrativa.
Portal IMPRENSA - Qual a melhor definição para webdocumentário?
Marcelo Bauer - É uma nova forma de contar histórias pela internet e tem como ponto de partida a mistura de diferentes formatos, tudo isso embalado em uma interface única. O webdocumentário se aproveita da linguagem documental criada para o cinema e para a televisão e a adapta para a rede. E, permite romper a linearidade da narrativa do cinema e da televisão.
Portal IMPRENSA - E o diferencial tendo em vista a variedade de linguagens?
Marcelo Bauer - Em relação aos usos mais comuns de vídeos na internet, como o YouTube ou pequenas reportagens produzidas pelos portais, o webdocumentário avança tanto em linguagem quanto em conteúdo. Em linguagem, ele cria uma gramática própria da web, e não repete simplesmente o modo de fazer da televisão e do cinema. Em conteúdo, ele dá a oportunidade de um aprofundamento muito maior nos temas.
Portal IMPRENSA - Qual a importância de um bom recurso fotográfico?
Marcelo Bauer - A fotografia captura o "momento decisivo", como dizia Henri Cartier-Bresson, e o perpetua. Acho que continuará a ter um espaço de destaque na produção visual mesmo nesse mundo dominado pelos vídeos. Muitos projetos de webdocumentário usam a foto estática como parte importante da narrativa. Mas, na maioria das vezes, ela não está só. Ela aparece somada a recursos de animação e de sonorização, ou mesmo mesclada a trechos em vídeo.
Portal IMPRENSA - Como surgiu seu primeiro webdocumentário sobre o Haiti?
Marcelo Bauer - Logo após o terremoto de 12 de janeiro de 2010, descobri uma grande quantidade de material em vídeo produzido sobre a tragédia e que não estava sendo explorado em toda sua potencialidade pelas redes de televisão e pelos sites. Esses vídeos foram produzidos por diversas ONGs que prestavam ajuda humanitária no Haiti, e em especial pelas agências das Nações Unidas que participavam da ação. Vi naquele material bruto o potencial para a criação de um webdocumentário.
Portal IMPRENSA - De que forma se dá o desenvolvimento da linguagem no Brasil?
Marcelo Bauer - Infelizmente, ainda há poucos projetos de grande porte no Brasil. Há alguns anos, a Agência Brasil iniciou uma série de trabalhos na área, mas não houve continuidade. Atualmente, encontramos alguns trabalhos de conclusão de curso em faculdades de comunicação e uns poucos projetos independentes.
Portal IMPRENSA - Pode citar alguns exemplos de projetos no exterior?
Marcelo Bauer - Os países que considero mais avançados em webdocumentários são Canadá e França, embora haja exemplos interessantes nos Estados Unidos e em países latino-americanos, como Colômbia. No Canadá, o grande destaque são os projetos capitaneados pelo National Film Board, que tem investido em muitos webdocumentários. Na França há diversas produtoras especializadas. E os projetos normalmente são exibidos em sites de jornais, como o Le Monde , ou de canais de TV, como Arte, France5 e France 24.
Portal IMPRENSA - Os trabalhos já desenvolvidos destacam a questão social. Existem outras possibilidades, comunicação empresarial, por exemplo?
Marcelo Bauer - Sem dúvida a comunicação corporativa pode se apropriar do modo de fazer do webdocumentário para criar novas formas de relacionamento com seus públicos. Ou seja, o tipo de interface visual, de uso de vídeo, de conjugação com fotos. Como sou um pouco purista, não chamaria isso de webdocumentário, pois não há uma preocupação documental e sim institucional. Mas a ferramenta é muito apropriada às empresas. No exterior, há casos de companhias que usam esse formato para substituir, ou complementar, seus relatórios sociais.
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