Mídia explora seqüestro em SP e emissora exibe entrevista ao vivo

Mídia explora seqüestro em SP e emissora exibe entrevista ao vivo

Atualizado em 15/10/2008 às 15:10, por Thaís Naldoni e Adriana Douglas/Redação Portal IMPRENSA.

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Atualizada às 19h20

Na tarde desta quarta-feira (15), a produção do programa "A Tarde é Sua", da Rede TV!, tomou a liberdade de telefonar para a casa da jovem (Heloá), de 15 anos, mantida refém há mais de 48 horas pelo ex-namorado Lindemberg Fernandes Alves, 22, em Santo André, na Grande São Paulo. Foi a segunda entrevista conseguida pela emissora, que já havia feito um contato com Alves, através do repórter Rui Guerra no final da manhã.

Sônia Abrão, apresentadora do programa, se colocou na posição de "intermediária" de contatos entre o seqüestrador e sua família, que pediu para que ele se entregasse porque sua mãe estaria "sofrendo muito". Segundo fontes da emissora informaram ao Portal IMPRENSA, Sônia não estava negociando a libertação. "Ela estava apenas conversando. Não está negociando a libertação da jovem".

Divulgação
Sônia Abrão
Durante a entrada ao vivo, a ligação caiu por várias vezes. Nestes intervalos, a apresentadora garantia que sua produção não estava "prendendo a linha" da casa da jovem e que Lindemberg poderia ser contatado via celular pela polícia, caso fosse necessário.

Este não foi o único caso de veículos de imprensa que entraram em contato com o sequestrador pelo telefone. A TV Globo também usou do artifício e a repórter Zelda Mello Lindemberg Alves pelo telefone, para o "SPTV". Entre os veículos de internet, a Folha Online publicou , na qual o repórter também havia falado com o sequestrador.

O professor de Legislação de Imprensa e dos Meios de Comunicação do curso de Jornalismo da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Claudio José Pereira, em entrevista à reportagem de IMPRENSA, afirmou que o jornalista deve pesar os riscos de uma intervenção semelhantes, em casos em que há risco de morte dos envolvidos. "Entendo que o jornalista é um investigador nato da sociedade e, às vezes, assume riscos profissionais e pessoais que fogem de seu controle. Nesse caso do sequëstro, em que podem haver riscos irreparáveis para ambas as partes [imprensa e vítimas/criminoso], é essencial que se tome cuidado para o bem de todos", explica.

Pereira acrescenta que tanto a empresa que presta serviços jornalísticos como o jornalista precisam avaliar o custo de certas ações, para que os criminosos não abusem da função da imprensa de informar os telespectadores. "Isso já foi realizado anteriormente por criminosos, para se proteger ou para dar resguardo às suas ações. Por isso, o jornalista tem que saber pesar se vale ou não a pena o risco. A notícia não está acima de todas as coisas", finaliza.