"Mesmo em outros países não estamos seguros", dizem jornalistas russos que fugiram do regime de Putin
Durante um evento realizado esta semana na Universidade Columbia, nos Estados Unidos, um grupo de jornalistas russos denunciou uma série de envenenamentos e outras ameaças à segurança de profissionais de imprensa conterrâneos que fugiram do regime de Vladimir Putin após o início da guerra na Ucrânia.
Atualizado em 14/09/2023 às 15:09, por
Redação Portal IMPRENSA.
Entre os jornalistas que participaram do econtro estavam Galina Timochenko e Ivan Kolpakov, respectivamente co-fundadora e editor-chefe do site de notícias russo Meduza. Segundo eles, até jornalistas russos que trabalham fora do país estão sendo atacados.
Kolpakov falou sobre o caso da repórter Elena Kostyuchenko, que foi envenenada na Alemanha no fim de 2022. O episódio ocorreu em outubro, quando ela viajava de trem para Berlim e adoeceu repentinamente. A jornalista de 35 anos havia deixado a Ucrânia após receber a informação de que autoridades chechenas estavam à sua procura para matá-la. Crédito: Reprodução Meduza Matérias do site de notícias Meduza denunciam perseguição a jornalistas russos que fugiram do regime de Putin Além dela, outros dois jornalistas russos apresentaram sintomas de envenenamento após fugir do regime de Vladimir Putin. Em outro caso relatado pelos profissionais do Meduza, autoridades da Letônia revogaram em dezembro passado a licença de transmissão do canal de televisão independente russo Dozhd.
Software espião
"Esses são apenas alguns exemplos de como é ser um jornalista russo nos dias de hoje. Você foge do seu governo, vai para a Letônia, um país vizinho que faz parte da União Europeia, mas acaba expulso", prosseguiu Kolpakov.
Galina Timchenko informou que, após os episódios de envenenamento, o Meduza adotou protocolos rígidos para evitar que seus colaboradores sejam vítimas desse tipo de crime. Segundo ela, os envenenamentos quase sempre ocorrem quando os profissionais de imprensa russos exilados em outros países estão viajando.
"Impusemos regras muito rígidas para viagens, para o uso de líquidos e para a vida cotidiana. Proibimos estritamente qualquer entrega de comida ou entrega ao domicílio ao nosso pessoal. É um pouco estranho, mas impusemos até regras para nossos colaboradores não usarem líquidos dentro de hotéis."
Em uma matéria publicada ontem no Meduza, Galina narra como descobriu recentemente que seu celular foi infectado com o software espião Pegasus. Desenvolvida por uma empresa israelense, a tecnologia vem sendo usada por governos de vários países para espionar, além de jornalistas críticos, ativistas e políticos de oposição.





