Merchandising na TV agride telespectadoras e prejudica consumidoras

Merchandising na TV agride telespectadoras e prejudica consumidoras

Atualizado em 08/03/2005 às 16:03, por Paloma Oliveira/Versátil Comunicação.

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- Promovido pelo IDEC e Instituto Patrícia Galvão, evento vai discutir influência negativa desse tipo de propaganda sobre as telespectadoras

- Estudo revela que, mesmo sendo tratadas como carentes, insatisfeitas e ingênuas, mulheres não deixam de assistir ao merchandising e comprar os produtos

- Aberto ao público, evento e será realizado quinta-feira, 10 de março, em São Paulo

O uso abusivo do merchandising em programas femininos de TV e o seu impacto sobre as telespectadoras e consumidoras será tema de um debate promovido pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC) no dia 10 de março, em São Paulo. O evento, que terá participação de Marilena Lazzarini, coordenadora institucional do Idec, Pedro Kassab, presidente do Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar) e Fátima Jordão, do Instituto Patrícia Galvão, é aberto ao público e tem o objetivo discutir o uso indiscriminado dessa forma de publicidade e a influência negativa sobre as mulheres.
"Acompanhamos esse fenômeno com extrema preocupação, pois os programas têm grande audiência, com apresentadores que influenciam demais a opinião dos telespectadores", explica Marilena Lazzarini. "Além de comprarem o que não precisam, muitas vezes as mulheres também são influenciadas a adquirir produtos irregulares, sem rotulagem e que podem colocar em risco a sua saúde e segurança."
No evento, também será apresentada a pesquisa "Merchandising em programas femininos", realizada pela ComSenso Estudos do Comportamento Humano e Instituto Patrícia Galvão. Realizado com mulheres de 24 a 50 anos, de classe sócio-econômica B e C, residentes em São Paulo (SP) e que assistem a programas femininos de televisão pelo menos duas vezes por semana, o estudo qualitativo analisou a percepção das telespectadoras em relação ao merchandising de produtos de estética e saúde segundo critérios de atenção, compreensão, interesse, mobilização, credibilidade, adoção e resultados.
Segundo a pesquisa, as mulheres não só diferenciam o que é essencialmente o programa e o que é merchandising como também lhes atribuem características distintas. Para elas, os programas em si procuram valorizar a mulher, tratando-as com respeito e procurando transmitir informações úteis e importantes. Já o merchandising de algumas marcas destas categorias de produto as tratam como pessoas insatisfeitas e carentes, pouco críticas e que podem ser facilmente iludidas com promessas milagrosas.
Apesar dessas diferenças de opiniões, as mulheres entrevistadas não deixam de assistir ao merchandising. Mesmo sentindo-se incomodadas e algumas vezes até mesmo "agredidas" pelas constantes interrupções da programação que mais lhes interessa, elas prestam atenção à propaganda e, muitas vezes, acabam comprando algum produto.
"Percebe-se que, independentemente da identificação com o produto anunciado, o merchandising, enquanto estratégia de vendas, tem uma permissão extra quando inserido dentro da programação feminina", explica Suzy Zveibil Cortoni, diretora da ComSenso. "Este tipo de merchandising parece explorar o vínculo emocional pré-existente da telespectadora com o programa feminino, fazendo um trampolim mais rápido em direção às telespectadoras e diferenciando-se significativamente das propostas usuais."
Para a pesquisadora, a aceitação passiva do merchandising espelha uma submissão ao programa feminino, prejudicando a percepção da mulher. "À medida que as ações de merchandising dentro dos programas aumenta, a distinção da telespectadora sobre o que é propaganda e o que não é tende a diminuir, dissipando ou encobrindo a postura crítica da telespectadora", acrescenta.
Conforme destaca Marilena Lazzarini, do Idec, além de servir como um alerta para que consumidoras e telespectadoras sejam mais conscientes e críticas diante desse tipo de propaganda, o evento também tem por objetivo traçar estratégias de atuação em relação ao problema. "Os resultados da pesquisa serão encaminhados para autoridades do executivo, legislativo, emissoras de TV e ao Conar", informa.

Serviço

Debate e apresentação da pesquisa: "Merchandising em Programas Femininos na TV"
Data: 10 de março de 2005, quinta-feira
Horário: das 14h30 às 17h30
Local: Instituto Pólis, em São Paulo
Endereço: Rua Araújo, 124 - Centro - São Paulo - próximo a estação de metrô República
Mais informações pelo telefone (11) 3862-9844

Programação

Abertura: Fátima Jordão - Instituto Patrícia Galvão e Marilena Lazzarini - Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor IDEC
Apresentação da Pesquisa: Suzi Cortoni - Comsenso Agência de Estudos de Comportamento
Debate: Ana Olmos - ONG Tver, Pedro Kassab - Conselho Nacional de Auto-regulamentação Publicitária (CONAR), Fátima Jordão - Instituto Patrícia Galvão

Disponível para entrevista: Suzy Zveibil Cortoni, psicóloga e diretora da ComSenso Agência de Estudos do Comportamento

Sobre a ComSenso Agência de Estudos do Comportamento Humano
A ComSenso Agência de Estudos do Comportamento Humano desenvolve pesquisas qualitativas para avaliar tendências de comportamento de grupos sociais, projetos educacionais, avaliação de projetos de qualidade e conhecimento sobre clientes internos e externos de empresas. Desde 1992 no mercado, a empresa já desenvolveu trabalhos para TV Globo, Globosat, Record, Band, Claro, Esso, BSH, Unibanco, entre outros. Em parceria com o Instituto Datafolha, a empresa também realizou estudos e análises qualitativas (algumas publicadas no jornal Folha de S. Paulo) sobre a percepção da população em relação a campanhas e personalidades políticas. A empresa é dirigida pela psicóloga Suzy Zveibil Cortoni que trabalha com pesquisas qualitativas e quantitativas desde 1984 e também é co-autora do livro "As Herdeiras" (Editora Nobel), que faz uma reflexão sobre as mulheres líderes empresariais, por meio do depoimento de seis executivas (Ana Maria Diniz, Elizabeth Beaman, Fátine Chamon, Genny Serber e Regina Yazbek), que não foram educadas para assumir os negócios de suas famílias, mas por decorrência de fatores não previstos antecipadamente, assumiram postos de destaque nas empresas herdeiras.
Para mais informações , consulte o site www.comsensopesquisa.com.br.

I NFORMAÇÕES PARA A IMPRENSA - ComSenso Agência de Estudos do Comportamento Humano
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