Mercado informal ajuda o equilíbrio da economia - Ligia Bellido/São Judas

Mercado informal ajuda o equilíbrio da economia - Ligia Bellido/São Judas

Atualizado em 20/10/2004 às 01:10, por Ligia Bellido - 4º ano de jornalismo - Universidade São Judas.

Por Matéria publicada no Jornal Laboratório "Expressão"

A economia, influenciada pela globalização, fez com que se buscasse no mercado de trabalho maior qualidade e produtividade com menor custo. Conseqüentemente, houve um aumento da mão-de-obra despreparada. A demanda deste mercado modificou o perfil dos profissionais. Estar sempre atualizado, fazer cursos e se diversificar em outras áreas são os principais ingredientes para a conservação do emprego. Estes dados foram obtidos através de pesquisas, realizadas todos os meses na cidade de são Paulo, pela Associação dos Empregados do Senai (AES-SP), que identificou muitos de seus ex-empregados no mercado alternativo.

As principais influências desta situação são os avanços tecnológicos e variedade da mão-de-obra, que tornam as exigências no recrutamento dos profissionais cada vez mais complexas. A dificuldade de trabalhadores com mais de 35 anos em média, para voltar à ativa, deve-se ao preconceito do mercado em classificar como uma idade avançada, e que possibilita, preferencialmente, a entrada de jovens profissionais, na certeza da premissa de maior disposição, qualificação (cursos de línguas e informática completos) e conformismo para desempenhar mais funções por salários mais baixos. "Qualquer tentativa de requalificação é válida, pois permite que o profissional desenvolva algumas habilidades que não foram percebidas anteriormente, facilitando seu ingresso em outras áreas", afirma Adriana Gomes, Assessora de Recursos Humanos do Grupo Catho. Ela acredita que os projetos lançados pela Prefeitura de São Paulo podem ajudar o profissional a se atualizar de acordo com a procura.

O desemprego e a vontade de ser dono do próprio negócio fizeram com que surgisse uma nova classe de profissionais autônomos: os dogueiros. Oferecendo hot-dogs, hambúrgueres, entre outros, com mais opções de recheios e a um preço acessível (R$ 1,50 em média), este tipo de vendedor ambulante de fast food invadiu as ruas da cidade, com carros adaptados, mesinhas com cadeiras e variedades de bebidas.

Geralmente, os dogueiros já foram profissionais das mais diversas áreas que ficaram desempregados e que, depois de um período sem encontrar trabalho, decidiram investir suas economias em um negócio próprio. O número desses profissionais cresce a cada dia e gera uma certa competição, no qual os vencedores são os que apresentam um bom cardápio e muita higiene, e mostram que nessa alternativa de trabalho também há exigências.

De acordo com Cláudio Colodron, Presidente da Diretoria Executiva da AES, os profissionais que optaram por esse tipo de trabalho não têm garantias. "É necessário haver uma regulamentação, pois o mercado informal está crescendo muito.. O governo do Estado e as Prefeituras dos Municípios deveriam implantar algum tipo de controle desses profissionais". Colodron afirma que os projetos da Prefeitura não terão resultados e, por isso deveria ser feito algum tipo de cadastramento dos trabalhadores para oferecer-lhes, futuramente, garantias de serviço.