Max Gehringer fala sobre sua carreira e o mercado de trabalho
Max Gehringer fala sobre sua carreira e o mercado de trabalho
Comunicador nato, Max Gehringer é Administrador de Empresas por formação, mas desde 2006 assume o posto de um dos colunistas mais lidos e comentados da revista Época . Consultor de carreira e conferencista, Max é também comentarista da Rádio CBN e, desde abril deste ano, apresenta o quadro "Emprego de A a Z", no programa "Fantástico", da TV Globo.
Com um estilo simples e transparente e de bom humor sempre afiado, o autor de "O melhor de Max Gehringer na CBN" e o mais recente "Pergunte ao Max" prima pelo didatismo e objetividade em seus textos.
Em entrevista exclusiva ao Portal IMPRENSA, Max Gehringer conta sobre sua carreira e fala de suas dificuldades e expectativas como comentarista multimidiático.
IMPRENSA - Depois de quanto tempo e como surgiu o interesse em "mudar de lado" e se tornar consultor de carreira?
Max Gehringer - Comecei a pensar que a vida corporativa não seria eterna ali pelos meus 35 anos de idade. Eu via colegas com 50 ou 60 anos se aposentando felizes, dizendo que teriam tempo para fazer muitas coisas interessantes, como viajar, curtir a família, ou montar um pequeno negócio próprio. Mas, na grande maioria dos casos, essas pessoas simplesmente descobriam que não sabiam fazer muita coisa além de trabalhar em uma empresa. Por isso, eu decidi encontrar algo útil para ocupar meu tempo com bastante antecedência, e sem pressão. E elegi ser escritor. Fiquei anos escrevendo para mim mesmo, só para encontrar e apurar um estilo. Dei adeus à vida corporativa aos 49 anos, quando era presidente de uma empresa, e meus amigos me recriminaram por eu ter parado tão cedo. Mas o tempo vem provando que essa foi uma das decisões mais sensatas que tomei na vida.
IMPRENSA - Desde sua entrada no mercado de trabalho e, depois, em sua atuação como consultor, quais as principais mudanças que você notou no mercado?
Max - Quando eu comecei, na década de 1960, as pessoas entravam numa empresa pensando em se aposentar nela. Não se falava em carreira, e a palavra de ordem era 'obediência'. Se o chefe mandou fazer, faça e não pergunte nada. Hoje, os profissionais mais jovens já vêem a carreira como uma obrigação pessoal, que não deve ser delegada a uma empresa. A palavra de ordem passou a ser 'utilidade'. As empresas passaram a deixar claro que só manteriam um funcionário enquanto ele fosse útil. Nesse processo, a estabilidade se tornou uma lembrança dos tempos antigos. Do mesmo modo, os profissionais só permanecem em uma empresa enquanto ela for útil para a carreira deles. É um toma lá dá cá. Evidentemente, outra grande mudança foi a escolaridade. Há 30 anos, ter o ginásio - 8 anos de escola - eram suficientes para conseguir um bom emprego num banco ou numa indústria. Hoje, ter uma faculdade já se tornou lugar-comum. Sem um curso superior, ninguém consegue uma vaga decente.
IMPRENSA - O convite para ser comentarista da Rádio CBN não o deixou apreensivo, com medo de esgotar o assunto?
Max - Muito apreensivo. Tanto que eu pedi para a diretora da CBN, a Mariza Tavares, que só fizéssemos um primeiro contrato de 6 meses, e não de um ano. Eu achava que, após uns 100 comentários, não haveria mais o que comentar. Ela me disse que haveria assunto para o resto da vida, e ela estava certa. Embora os temas sejam recorrentes, sempre há um novo ângulo, ou uma nova abordagem, que pode tornar o comentário interessante.
IMPRENSA - Você acredita que a participação popular seja a melhor opção para a obtenção de novas pautas ou há algum outro recurso?
Max - No começo de minha participação na CBN, eu recebia meia dúzia de e-mails por dia. Hoje, recebo perto de 50. Contando com a revista Época e o "Fantástico", o número bate nos 150 e-mails diários. É através dessa massa que eu tomo o pulso do mercado. São reclamações, dúvidas, pedidos de esclarecimentos sobre cursos e carreiras. Eu leio muito, para me manter minimamente atualizado, mas é o contato direto com ouvintes e leitores que me mantém informado.
IMPRENSA - Qual a maior dificuldade que, na sua percepção, encontram os profissionais ou aspirantes a uma vaga no mercado de trabalho?
Max - Os jovens estão acreditando que as oportunidades de um emprego aumentam proporcionalmente ao número de diplomas. Isso não é verdade. Empresas procuram um misto de teoria e de experiência. Outra percepção errada é a de que "ser indicado" por alguém significa "um incompetente conseguiu a vaga". O que acontece é que há poucas boas vagas e muitos bons candidatos. E os que levam vantagem são aqueles que se preocuparam em formar um bom círculo de relacionamentos profissionais, desde os tempos da faculdade, e começando pelos professores.
IMPRENSA - Qual a faixa etária das pessoas que mais procuram por você?
Max - São duas. A dos jovens entre 16 e 25 anos, e aos seniores entre 40 e 55 anos. A primeira, porque está difícil achar um rumo. A segunda, porque começa a se sentir insegura. A faixa intermediária, dos 26 aos 39 anos, também me escreve, mas por motivos diferentes. São pessoas mais otimistas com relação ao futuro, e perguntam "o que mais" elas podem fazer para acelerar a carreira.
IMPRENSA - A estréia de um quadro no "Fantástico aumentou sua visibilidade". Como conciliar as consultorias e as palestras? Qual a sua prioridade agora?
Max - Eu tenho três atividades básicas. Sou escritor, comentarista e palestrante. O que aumentou após o "Fantástico" foram as consultas para palestras. Por enquanto, tenho conseguido levar numa boa.
IMPRENSA - Em sua trajetória como consultor, em algum momento você se arrependeu da escolha e pensou em voltar para a rotina dos escritórios?
Max - Nunca. Eu não deixei a vida corporativa magoado, ou achando que podia ter conseguido mais do consegui. Na verdade, foi o contrário. Em termos de carreira, recebi mais do que pedi, e mais até do que merecia. Por isso, não vejo motivos para voltar.
IMPRENSA - Qual a principal diferença entre o foco do seu livro "O melhor de Max Gehringer na CBN" e seu novo "Pergunte ao Max"?
Max - Os temas são semelhantes. O que varia é a mídia. No rádio, a linguagem deve ser direta e objetiva, sem termos complicados, porque a informação precisa ser passada de maneira a não deixar dúvidas. Já o texto escrito dá uma liberdade maior para o desdobramento de uma idéia. Neles, eu utilizo palavras menos usuais, termos ingleses de uso corrente nas empresas e jargões empresariais, coisas que eu procuro evitar no rádio.
IMPRENSA - Como foi feita a seleção de perguntas que entrariam no livro mais recente?
Max - Tentamos dividir o livro em temas, para facilitar a procura. Mais ou menos como se fosse um dicionário, que permite que o leitor encontre rapidamente algo que lhe interessa naquele momento.
IMPRENSA - Já existe alguma idéia para um próximo livro?
Max - Será uma ampliação de meu quadro no "Fantástico", o "Emprego de A a Z". O desafio será transformar parte dos diálogos gravados, que foram espontâneos, em uma linguagem que convide à leitura.
IMPRENSA - Sobre as suas novas funções como comentarista na TV e no Rádio, o que você perguntaria a um consultor de carreira?
Max - Qual curso me dará uma vantagem competitiva daqui a 5 anos? Essa é uma das perguntas mais complicadas que existem, devido às constantes mudanças no mercado de trabalho.






