Maurício Noriega lança biografia de Oswaldo Brandão, ídolo de Corinthians e Palmeiras

Nesta segunda-feira (7/4), o jornalista e comentarista esportivo Maurício Noriega, da SporTV, lança o "Oswaldo Brandão — libertador corintiano, herói palmeirense", da editora Contexto, livro que conta a trajetória do treinador de futebol que conseguiu a façanha de ser ídolos dos principais rivais dos campos paulistas: Corinthians e Palmeiras.

Atualizado em 07/04/2014 às 17:04, por Vanessa Gonçalves.

e comentarista esportivo Maurício Noriega, da SporTV, lança o "Oswaldo Brandão — libertador corintiano, herói palmeirense", da editora Contexto, livro que conta a trajetória do treinador de futebol que conseguiu a façanha de ser ídolos dos principais rivais dos campos paulistas: Corinthians e Palmeiras.

Crédito:Divulgação Maurício Noriega lança livro sobre Oswaldo Brandão
À IMPRENSA, Noriega revela que a obra surgiu de uma sugestão dele ao pai, o narrador Luiz Noriega, falecido em 2012. A ideia do jornalista era contar algumas histórias sobre o técnico que, por muitas décadas, foi considerado um dos maiores no Brasil.

A obra chega às livrarias no ano em que o time alviverde completa cem anos e cuja trajetória foi marcada pelo comando de Oswaldo Brandão.
IMPRENSA - Por que um livro sobre um técnico de futebol que já se foi há tanto tempo? MAURÍCIO NORIEGA - Primeiro, porque para a minha geração, para quem viveu a infância dos anos 70, a figura do Oswaldo Brandão é muito marcante. É um dos técnicos mais importantes do futebol, com muitas histórias. Ele foi muito marcante para quem, nesse período, passou a ter contato com o futebol. Em segundo lugar, porque o Brandão era muito amigo do meu pai, que foi narrador da TV Tupi, da TV Cultura. Então, eu tinha essa ligação de ouvi-lo, do meu pai ir à casa dele. Há alguns anos, coisa de sete anos, tava conversando com meu pai e disse: 'por que você não faz um livro sobre o Brandão?'. E ele falou: 'vamos fazer o seguinte, você faz e eu te ajudo". Daí a gente assumiu meio que esse compromisso.
Então, o lançamento não tem a ver com uma data comemorativa sobre ele? Não.O que eu acho é que durante esse período pensei: 'vou fazer no centenário do Corinthians', mas tinha muita coisa que não tinha conseguido fazer de entrevistas e fui passando. Podia ter antecipado para lançar ano passado, mas deixei para lançar no centenário do Palmeiras, porque aproveito essa ligação forte dele com o clube, que acho que dá um gancho muito bom para as pessoas lembrarem dele.
O que os leitores vão encontrar sobre o Brandão nesse livro e que acha importante destacar? Quem não conheceu o Brandão, espero que lendo o livro possa ter uma ideia do que ele foi como pessoa e treinador, bem como do que era o futebol naquela época. Trata-se de um período grande da vida dele e do próprio futebol, que passa do começo da era profissional, porque ele foi jogador dos anos 30, começa a ser treinador nos anos 40 e vai até os anos 80. É uma espécie de mapa de como o futebol se desenvolveu no Brasil, diferente do que é hoje.

Além disso, há histórias da relação dele com outras pessoas, do carisma do torcedor com ele. Espero que eu tenha conseguido passar uma viagem de um período da história do futebol, além das histórias espetaculares. Afinal, ele era uma figura muito carismática, iluminada em termos de vida, da própria relação que ele tinha com a espiritualidade, por exemplo. Crédito:Divulgação Obra traz trajetória vitoriosa do técnico
Esse é seu quarto livro? Já está preparando algum outro? Estou escrevendo desde o ano passado sobre o [Roberto] Rivellino, que é um projeto da mesma editora, uma série sobre grandes jogadores. Dei uma paradinha agora para cuidar deste lançamento do Brandão, mas é um projeto bem legal. O do Brandão é um pouco diferente. Além da dificuldade para algumas coisas em virtude dele ter morrido em 1989 e de muita gente que conviveu com ele ter morrido também, então a pesquisa é um pouco complicada.

Mas é muito prazeroso. Realmente, as histórias são divertidíssimas. O Brandão é um cara que não teve educação formal, parou de estudar muito cedo para trabalhar e ajudar a família que perdeu o pai muito cedo, mas ele tinha uma inteligência empírica, instintiva, fantástica, e fora essa questão da espiritualidade. Ele era kardecista, perdeu um filho com 31 anos e tudo isso tem uma carga dramática que é muito interessante. Além do fato básico, acho que sem dúvida alguma, foi o melhor técnicos dos maiores rivais: Corinthians e Palmeiras.
Não estamos acostumados com essa literatura de futebol. Acha que há um movimento do torcedor brasileiro de querer conhecer essas histórias? Felizmente, sim. Realmente de um tempo pra cá tem saído muita coisa. Sempre houve uma barreira em relação ao futebol e ao esporte na literatura, porque o esporte sempre foi tratado como segunda categoria no jornalismo brasileiro, apesar de alguns dos maiores jornalistas terem trabalhjado no esporte. Acho que isso está mudando um pouco. Hoje, o esporte é visto como entretenimento e tomara que isso cresça e que as pessoas leiam bastante,.
Mas é preciso ter um filtro. Não adianta sair um monte de coisas, fazer linha de produto, às vezes tem produtos muito bons, outros nem tanto. Mas espero que seja ma tendência, não só sobre futebol, mas de outros esportes que têm histórias muito legais.
Vocês escreveu sobre um técnico e, normalmente, os ídolos são ex-jogadores. Qual a expectativa dos leitores sobre esse novo personagem? Não são todos os técnicos que têm essa aura, mas alguns, não apenas por terem sido grandes, treinadores, mas porque têm alguma coisa diferente, alguma chama na prrsonalidade, como o Brandão, o Telê Santana, o João Saldanha...O Zagallo mesmo, o Flávio Costa, o Fleitas Solich, muita gente que passou e marcou.

Por que eles marcaram? Algumas coisa eles tinham de diferente, muitas vezes pelo conhecimento do futebol, de alguma coisa revolucionária, mas de personalidade. E no caso do Brandão é isso, além de ser um cara com muito conhecimento do que era o futegol naquele perído, ele tinha uma personalidade carismática impressionante para lidar com as pessoas.

Quais são seus preparativos para esta Copa no Brasil? Para gente,na SporTV, a Copa é um período de muito trabalho, independentemente de ser dentro ou fora do Brasil. Acho que é diferente dessa vez pela junção de fatores. Acho que vai ser uma Copa com algumas situações que não aconteceram nas últimas, como os protestos, que vimos na Copa das Confederações, mas acredito que tem tudo para ser uma Copa, em termos de futebol, muito bom.
Serviço
"Oswaldo Brandão — libertador corintiano, herói palmeirense", de Maurício Noriega
Data: 7 de abril
Horário: às 18h30
Local: Livraria Saraiva - Shopping Eldorado
Endereço: Av. Rebouças, 3.970 - São Paulo (SP)