Matéria que marca a volta de ex-ombudsman da Folha às reportagens conquista quinto prêmio

Matéria que marca a volta de ex-ombudsman da Folha às reportagens conquista quinto prêmio

Atualizado em 16/12/2008 às 18:12, por Ana Luiza Moulatlet/Redação Portal IMPRENSA.

Matéria que marca a volta de ex-ombudsman da Folha às reportagens conquista quinto prêmio

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Na próxima quarta-feira (17), jornalista Mário Magalhães, do jornal Folha de S.Paulo , receberá em Brasília (DF), junto com o repórter Joel Silva, o Prêmio AMB de Jornalismo. Promovido pela Associação dos Magistrados Brasileiros, este será o quinto prêmio para a reportagem "Os anti-heróis - o submundo da cana", que desvenda a situação trabalhista dos cortadores de cana do interior de São Paulo.

Divulgação
Mário Magalhães em Paris
A dupla recebeu ainda o Prêmio Anamatra (da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho), o Prêmio Vladimir Herzog e o Prêmio Direitos Humanos-RS, além do Every Human Has Rights Media Awards - edição única realizada em Paris, na França, para comemorar os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. A iniciativa foi do grupo The Elders, comandado por ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela e pelo bispo sul-africano Desmond Tutu. Dedicado a intervir em conflitos internacionais, o grupo conta ainda com o ex-presidente do EUA Jimmy Carter e o ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan.

Magalhães explicou ao Portal IMPRENSA que a idéia surgiu de uma forte vontade da Folha de fazer uma investigação profunda das condições de trabalho dos cortadores de cana. "Queríamos fazer uma investigação autônoma, para mostrar como as coisas são de fato. A despeito de de muitas reportagens sobre o tema, nos últimos anos aumentou muito o número de acusações de organizações de direitos humanos. Ao mesmo tempo, havia uma manifestação eloqüente dos empregadores dizendo que não existiam abusos", disse o jornalista.

Publicada em 24 de agosto no caderno Mais!, a reportagem visitou em dois meses de investigação 19 cidades do interior de São Paulo e a capital. Para Magalhães, a importância de receber estes prêmios é que eles foram promovidos por entidades que têm tradição em prestigiar o jornalismo de direitos humanos. "Há um excesso de prêmios jornalísticos e um risco de vulgarização devido à quantidade de prêmios que existem. No entanto, estes prêmios vieram de segmentos que reconhecem a situação dos direitos humanos", afirmou.

Esta foi a primeira reportagem de fôlego feita pelo jornalista desde que deixou o cargo de ombudsman da Folha , em 4 de abril. "Esta reportagem foi o marco da minha volta ao jornalismo diário. Há várias funções no jornalismo e todas elas são nobres, mas a que melhor me encaixo é a de repórter", disse Magalhães.

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