Maluf critica candidatura de Datena e pede que apresentador mostre ficha de filiação
"Não acredito que ele troque o salário de R$ 500 mil por mês na (TV) Bandeirantes por um salário de R$ 25 mil na prefeitura", declarou
Atualizado em 31/07/2015 às 09:07, por
Redação Portal IMPRENSA.
O ex-presidente do PP em São Paulo e deputado federal Paulo Maluf destacou seu apoio ao prefeito de SP, Fernando Haddad, e comentou sobre a possibilidade do apresentador ser candidato a prefeito pelo seu partido no próximo ano.
Crédito:Divulgação Maluf defende que partido apoie Haddad e critica candidatura de Datena
"Se ele quiser ser candidato, pode ser. Mas eu acho que ele é um rapaz muito inteligente e não acredito que ele troque o salário de R$ 500 mil por mês na (TV) Bandeirantes por um salário de R$ 25 mil na prefeitura", declarou Maluf ao O Globo .
O anúncio da candidatura de Datena foi feito pelo deputado estadual Delegado Olim (PP-SP) em sua página no Facebook. “Nasce uma nova política para São Paulo. Datena declara que será candidato à Prefeitura de São Paulo”, escreveu ele, que será o vice na chapa.
Foi o deputado quem fez a ligação do apresentador da Band com o PP. Ele também intermediou diálogos entre Datena, o PSB e o PSDB. O acerto final foi realizado em reunião entre os dois e o presidente do PP-SP, deputado federal Guilherme Mussi, na noite da última terça-feira (28/7).
"O Datena mostrou para vocês a ficha de inscrição no partido? Como ele pode ser candidato se ele não é filiado? Você vai para um casamento e não mostram a certidão?", questionou Maluf. O deputado federal criticou ainda o fato de a sigla romper a aliança com o PT. Para ele, Haddad faz uma administração honesta.
"Eu sou um homem coerente, minha vida pública não tem incoerência. Em 2012, eu apoiei o Fernando Haddad e eu estou feliz em ver que ele está fazendo uma administração honesta. Onde não tem escândalo é exatamente na Prefeitura de São Paulo. Se o Fernando Haddad teve nosso apoio para a eleição, vai ter apoio para a reeleição também."
Mussi, entretanto, destacou que a coligação com o PT foi feita na gestão da Maluf. "O acordo com o governo municipal foi feito pelo antigo comando do partido. Agora fica a critério do Fernando Haddad, se ele quer manter nomeadas as pessoas indicadas pelo antigo comando. Nós, do atual comando do partido, não temos ninguém trabalhando na prefeitura. Temos respeito pelo prefeito, mas o partido está buscando voo solo com candidatura de porte grande", explicou.
O diretório municipal avalia que Datena disputará votos com o deputado Celso Russomanno (PRB-SP), também apresentador de TV e terceiro colocado na disputa pela prefeitura em 2012.
Resposta
Em entrevista à rádio Gaúcha na última quinta (30/7), Datena afirmou que respeita Maluf "como homem", mas não "como político". "É evidente que jamais apertaria a mão dele para qualquer acordo político, nem para ser presidente de time de botão", declarou.
O apresentador também destacou a perda de influência do deputado federal no diretório paulista da legenda. "Acho que já prestei um serviço maravilhoso para o partido, onde ele não manda mais nada", acrescentou.
"Malufismo 2.0”
Ao O Globo , o professor de ciências políticas da Fundação Getulio Vergas (FVG-SP), Claudio Couto, disse que não é incomum a entrada de profissionais de mídia na política, bem como comunicadores que exploram a criminalidade e a violência em suas atrações.
"Como outros no passado, Afanásio [Jazadi], por exemplo, Datena é o comunicador dedicado a explorar a questão da criminalidade e da violência, lançando mão da virulência verbal contra bandidos e fazendo a apologia da polícia. Também nisso, portanto, ele não é uma novidade. Mas tem certamente potencial para angariar muitos votos", esclareceu.
Couto também observa o surgimento de um “malufismo 2.0” com a entrada de Datena na política, uma renovação da política conservadora. "O malufismo pode ser visto de diversas formas, para além da pessoa do próprio Maluf. É uma orientação política conservadora com relação à concepção urbanística, à segurança pública e à provisão de serviços sociais. Isso não significa que ela é completamente despreocupada de questões sociais", completou.
Crédito:Divulgação Maluf defende que partido apoie Haddad e critica candidatura de Datena
"Se ele quiser ser candidato, pode ser. Mas eu acho que ele é um rapaz muito inteligente e não acredito que ele troque o salário de R$ 500 mil por mês na (TV) Bandeirantes por um salário de R$ 25 mil na prefeitura", declarou Maluf ao O Globo .
O anúncio da candidatura de Datena foi feito pelo deputado estadual Delegado Olim (PP-SP) em sua página no Facebook. “Nasce uma nova política para São Paulo. Datena declara que será candidato à Prefeitura de São Paulo”, escreveu ele, que será o vice na chapa.
Foi o deputado quem fez a ligação do apresentador da Band com o PP. Ele também intermediou diálogos entre Datena, o PSB e o PSDB. O acerto final foi realizado em reunião entre os dois e o presidente do PP-SP, deputado federal Guilherme Mussi, na noite da última terça-feira (28/7).
"O Datena mostrou para vocês a ficha de inscrição no partido? Como ele pode ser candidato se ele não é filiado? Você vai para um casamento e não mostram a certidão?", questionou Maluf. O deputado federal criticou ainda o fato de a sigla romper a aliança com o PT. Para ele, Haddad faz uma administração honesta.
"Eu sou um homem coerente, minha vida pública não tem incoerência. Em 2012, eu apoiei o Fernando Haddad e eu estou feliz em ver que ele está fazendo uma administração honesta. Onde não tem escândalo é exatamente na Prefeitura de São Paulo. Se o Fernando Haddad teve nosso apoio para a eleição, vai ter apoio para a reeleição também."
Mussi, entretanto, destacou que a coligação com o PT foi feita na gestão da Maluf. "O acordo com o governo municipal foi feito pelo antigo comando do partido. Agora fica a critério do Fernando Haddad, se ele quer manter nomeadas as pessoas indicadas pelo antigo comando. Nós, do atual comando do partido, não temos ninguém trabalhando na prefeitura. Temos respeito pelo prefeito, mas o partido está buscando voo solo com candidatura de porte grande", explicou.
O diretório municipal avalia que Datena disputará votos com o deputado Celso Russomanno (PRB-SP), também apresentador de TV e terceiro colocado na disputa pela prefeitura em 2012.
Resposta
Em entrevista à rádio Gaúcha na última quinta (30/7), Datena afirmou que respeita Maluf "como homem", mas não "como político". "É evidente que jamais apertaria a mão dele para qualquer acordo político, nem para ser presidente de time de botão", declarou.
O apresentador também destacou a perda de influência do deputado federal no diretório paulista da legenda. "Acho que já prestei um serviço maravilhoso para o partido, onde ele não manda mais nada", acrescentou.
"Malufismo 2.0”
Ao O Globo , o professor de ciências políticas da Fundação Getulio Vergas (FVG-SP), Claudio Couto, disse que não é incomum a entrada de profissionais de mídia na política, bem como comunicadores que exploram a criminalidade e a violência em suas atrações.
"Como outros no passado, Afanásio [Jazadi], por exemplo, Datena é o comunicador dedicado a explorar a questão da criminalidade e da violência, lançando mão da virulência verbal contra bandidos e fazendo a apologia da polícia. Também nisso, portanto, ele não é uma novidade. Mas tem certamente potencial para angariar muitos votos", esclareceu.
Couto também observa o surgimento de um “malufismo 2.0” com a entrada de Datena na política, uma renovação da política conservadora. "O malufismo pode ser visto de diversas formas, para além da pessoa do próprio Maluf. É uma orientação política conservadora com relação à concepção urbanística, à segurança pública e à provisão de serviços sociais. Isso não significa que ela é completamente despreocupada de questões sociais", completou.





