Mais um serviço no Morumbi, além de kibe, esfiha, tem camisas de futebol
Mais um serviço no Morumbi, além de kibe, esfiha, tem camisas de futebol
Reflexo da pobreza ou negócios ilícitos, enfim é o retrato da transformação da estrutura do nosso espetáculo futebol.
Primeira partida da final da Copa do Brasil/2008. O Cícero Pompeu de Toledo, às 20h40min recebe um público que não parece a grande decisão. É o trânsito de São Paulo. Um torcedor é atendido por um funcionário da empresa Habbib's, que é fornecedora de alimentos do estádio do Tricolor paulista, e eu ouvi o seguinte diálogo:
- O que você tem?
- Kit. Esfiha, kibe, pastel de Belém.
-Me vê dois.
-Bebida, tem Coca?
- Três.
- Um minutinho eu já trago para o senhor.
Quando voltou, entregou o pedido e perguntou:
- O senhor quer uma camisa do Corinthians?
- Quanto?
- R10,00.
-É oficial?
-Não!
-Então, não. Obrigado.
E o rapaz partiu.
Perguntei ao torcedor, se realmente havia entendido que o vendedor do Habib's havia oferecido camisa do Corinthians. Ele confirmou o que eu havia ouvido. Peguei seu contato e parti em busca do rapaz.
Mais adiante, há alguns metros na sua frente, pedi para que dois senhores, da numerada inferior, prestassem a atenção no diálogo que teria com o vendedor. Ao se aproximar, perguntei:
- Por favor, você tem a camisa do Corinthians?
- Tenho sim.
- Quanto?
-R$10,00.
-Me dá uma.
Ele abriu a caixa de produtos do Habibi's e tirou uma camiseta branca que tem os dizeres: Não pára, não pára, não pára e com os logos da Medial Saúde e do Corinthians. Era uma camiseta regata. Passou-me seu nome e solicitei seu telefone, caso precisasse de mais camisas, sua resposta:
-Quantas o senhor precisar, é só falar.
Os dois torcedores que solicitei prestarem a atenção, me passaram os seus devidos nomes e contatos e ficaram também, preocupados com tal cena.
Procurei o departamento de marketing do Timão. Um funcionário alegou que tal camisa havia sido distribuída, de graça, pelo patrocinador do time, na entrada do estádio. Fica a questão:
Foi uma ação isolada de um funcionário, trabalhador, que ao entrar em seu local de trabalho - estádio de futebol - recebeu de presente uma camisa e na necessidade ou por não ser corinthiano resolveu se desfazer de tal presente de grego para ganhar uma ajuda na condução ou para a comida em casa? Ou existe uma estrutura para repassar essas camisetas e ganha dinheiro, usando a estrutura e a credibilidade de uma grande e conceituada empresa que atua no futebol, com produtos pirateados ou repassados?
Não sei dizer, mas prefiro a primeira hipótese. A facilidade em arrumar mais camisas, seria pelo simples motivo que todos os outros funcionários da empresa que, talvez, tenham recebido o mesmo presente e também não são da Fiel ou talvez, também estejam na mesma situação, igual a grande maioria da população deste país do futebol.
É estranho para não falar triste. Será que a administração do São Paulo observa o que é vendido em seu estádio e como é?
Um retrato da transformação, da passagem de amadores para a profissionalização, ainda que pequena, mas presentes em nossos estádios.
Torcedor de Pernambuco
Aproveitei o jogo e fui perguntar para a torcida pernambucana presente no estádio, como é a vida de torcedor em Recife.
Salomão Lopes considera a estrutura dos estádios no Recife boa. Existe segurança, o jogo Náutico x Botafogo em que ocorreu a prisão de um jogador da equipe carioca, para ele foi um caso isolado.
Lá respeitam o torcedor adversário. Temos bom transporte, alimentação - vários restaurantes, fora do estádio, transporte é adequado, estacionamento é amplo e banheiros limpos. Ele dá nota 8.
Sua opinião sobre o que viu em São Paulo também é boa. Mesmo não tendo acesso a ingressos - comprou de cambistas - Gastou algo em torno de R$1.500,00 mais R$90,00 de ingresso, pago somente após sua entrada no estádio, pois tinha medo do tal ingresso falso que falam que existe em nossa cidade. Só reclamou da estrutura fora do estádio, da demora para a abertura dos portões e principalmente da falta de pessoal para passar informações para o torcedor.
Já Ismael Prado, acredita que a estrutura do Sport é boa. Lá para conseguir ingressos é mais fácil. Contra o Vasco ele afirmara que comprou na bilheteria cinco horas antes da partida começar. O ingresso custou R$24,00 mais R$30,00 de aluguel da cadeira - tipo cadeira cativa. A camisa oficial do Sport custa R$150,00. E reclama que tirando material esportivo, o torcedor não tem muita opção para comprar produtos do clube.
Ele sempre compra na loja virtual sportnet. O torcedor não sabia se a loja virtual é do clube ou não, mas é a opção para comprar material esportivo da sua equipe de coração.
E VAI ROLAR A FESTA...
Enquanto já tivemos o PAN/RIO/2007, teremos a COPA/2014, lutam para o RIO/2016 o povo quer JUSTIÇA.
O Rio tem notas para a final da seletiva olímpica, e notas rolam, à Polícia Federal trabalha e a polícia prende e o Legislativo, que não sei por qual razão, nessa estrutura ainda existe, manda soltar, manda acabar com o sonho de um dia de honra e paz na Cidade Maravilhosa.
Pequim investiu e gastou cerca de 20 bilhões. Só para lembrar...






