Mais que um papel?, por Jucenberg Nascimento*
Mais que um papel?, por Jucenberg Nascimento*
Numa época em que se exige de todos os profissionais o máximo de produtividade, o diploma figura como uma premissa indispensável para a entrada no mercado de trabalho. No entanto, não podemos esquecer de quando não era imperativo ter um diploma para a execução de certas funções. Entre elas, está o Jornalismo.
A profissão de jornalista passou por um processo de sistematização que acompanhou a evolução das próprias relações sociais. Nos seus estágios mais primitivos, para atuar como jornalista bastava a aptidão natural e instintiva para investigar, apurar e levantar informações. Mesmo a confecção do texto não era de total responsabilidade do repórter, pois havia os revisores, que aparavam os erros do texto.
A sociedade tornou-se mais complexa. O Jornalismo acompanhou essa tendência. E hoje, só pode atuar como jornalista quem tiver a formação preliminar essencial, que são os quatro anos de ensino superior. Essa necessidade, por sua vez, gerou o que poderíamos chamar de "indústria do diploma".
A proliferação de instituições particulares de ensino superior está intimamente ligada à demanda por diplomas e certificados. Essas instituições estão sempre mais comprometidas em adquirir recursos financeiros à custa das deficiências educacionais que o nosso país sempre enfrentou. A procura pelo diploma em si desvia o foco principal e do objetivo sublime do estudo que é acumular conhecimento, desenvolver o senso crítico e não apenas atender às necessidades da sociedade mecânica e pragmática na qual vivemos.
Outro ponto a se questionar, quando falamos na obrigatoriedade do diploma, se refere ao fato de a nossa legislação qualificar o produto jornalístico como propriedade intelectual, amparado pelas leis de proteção ao autor. Diferente de um médico, por exemplo, que presta um serviço onde contam, sobretudo, seus conhecimentos técnicos, e o diploma atesta essa capacitação.
Países como os Estados Unidos não possuem a exigência prévia do certificado. O que não significa que seus profissionais sejam amadores e despreparados. Aliás, os grandes jornalistas brasileiros, que viveram os altos e baixos da nossa história, merecem o adjetivo "amadores", por não possuírem o almejado diploma?
Enfim, abolir a obrigatoriedade do diploma não é abrir as porteiras e fazer a farra do boi nas redações, colocando sujeitos que sequer sabem conjugar um verbo corretamente. È, pelo contrário, permitir que pessoas com a alma jornalística possam ter contato com este universo, restrito aos beneficiados pelo nosso torpe sistema educacional.
*Jucenberg Nascimento é estudante do Jornalismo da Uni Sant'Anna, em São Paulo (SP). Contato:






