Luiz Vasconcelos diz que ser fotógrafo na Amazônia é "cada vez mais difícil"
Luiz Vasconcelos diz que ser fotógrafo na Amazônia é "cada vez mais difícil"
O repórter fotográfico Luiz Vasconcelos é uma autoridade em sua área: há mais de 35 anos no jornal A Crítica , de Manaus (AM), passou 15 deles cobrindo ronda policial, e conhece bem as dificuldades de lidar com o assunto, muitas vezes trabalhando em locais "sem lei".
| Luiz Vasconcelos |
Histórias para contar é que não faltam; como a imagem marcante de uma índia com um bebê no colo resistindo a um batalhão de choque - fotografia finalista do Prêmio Embratel de Fotografia 2008 - ou situações-limite pelas quais ele passou enquanto cumpria seu trabalho.
| Luiz Vasconcelos |
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"Várias vezes já tentaram me agredir e tentar tomar meu filme. Faço de tudo e já passei por várias áreas, como política e esportes, mas sempre gostei da policial mesmo", diz Luiz. Certa vez, enquanto cobria a queda de um avião na cabeceira da pista em Manaus, em 1973, foi preso e "quase morreu sufocado no camburão da Polícia" por não querer entregar seu material de trabalho.
Em outra "aventura", naufragou em uma voadeira - barcos a motor da região amazônica - no meio do rio Negro. "Parecia filme, os navios passavam distante, e as pessoas que estavam na água gritavam as pessoas pedindo socorro, mas ninguém ouvia. Não tem como atravessar o rio a nado. E dentro da água, no rio Negro, só aparece a sua cabeça", conta o fotógrafo.
| Luiz Vasconcelos |
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Ele acabou resgatado por um barco que, milagrosamente, os viu. Recuperou sua bolsa, mas não seu equipamento. E mesmo assim, a paixão pela fotografia não vai embora, apesar de as dificuldades da profissão terem piorado cada vez mais.
| Luiz Vasconcelos |
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"Aqui o pessoal da polícia não quer mais permitir a imprensa, não quer mais deixar a gente passar. Cada dia que passa fica mais difícil. A responsabilidade do fotógrafo é muito grande, porque tem muita concorrência pra fazer a melhor foto. E estão tentando coibir a imprensa, mas com todas as dificuldades vale a pena, gosto da profissão".






