Lugar de Criança é na Escola: será? / Por Claudia Tozetto, aluna de jornalismo

Lugar de Criança é na Escola: será? / Por Claudia Tozetto, aluna de jornalismo

Atualizado em 02/06/2005 às 17:06, por Claudia Tozetto e  aluna de jornalismo.

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No último sábado, 30 de Abril de 2005, José Aristodemo Pinotti, atual secretário da educação do município de São Paulo participou de uma conferência de imprensa do Projeto "Repórter do Futuro" falando sobre saúde, assunto do qual tem larga experiência e sobre educação, foco de sua atual gestão.

Um grande problema encontrado na educação em São Paulo é a questão das creches (CEI). Unidades lotadas, a conseqüente falta de vagas e a necessidade de proximidade da residência foram alguns dos temas abordados por Pinotti. Pinotti aposta em uma solução para as creches: ainda está em projeto um programa onde a prefeitura ofereceria uma bolsa-auxílio de R$ 200,00, para que as mães mantivessem seus filhos de idade igual ou abaixo de 2 anos em casa sob seus próprios cuidados. Ele afirma que com um programa assim seriam geradas mais vagas nas CEIs, além de diminuir o custo do Estado com estas crianças que é hoje de R$ 600,00 / mês.

No entanto, as CEIs são destinadas às crianças de 0 a 3 anos e 11 meses, o que priorizaria o atendimento da faixa etária incluída no programa. Segundo uma diretora de CEI entrevistada, a falta de vagas na CEIs é conseqüência da presença de crianças acima da idade para a qual a CEI é destinada: "A nossa demanda de crianças na faixa de 2 anos é muito grande e as chances de atendimento são poucas, considerando-se que existe um grande número de crianças freqüentando as CEIs, mas com idade para freqüentar as EMEIs (escola para crianças de 4 a 6 anos) e até de uma EMEF (escola de ensino fundamental), impedindo que o atendimento seja dado às crianças menores." Ainda segundo a diretora, hoje estão matriculadas 148 crianças na CEI, porém existem outras 200 crianças na lista de espera de vaga.

Outro fator que é levado em consideração é que na CEI, as crianças têm toda um aestrutura psico-pedagógica, o que não existiria se estivessem em casa com a mãe. "Dentro desse projeto nós vamos dar palestras às mães sobre o crescimento e desenvolvimento das crianças", afirmou Pinotti quando questionado sobre o problema da falta de instrução para o cuidado dessas crianças. Porém, segundo ma diretora de CEI, isso não é o suficiente, pois na creche existe "a troca de experiências com outras crianças da mesma faixa etária e o convívio com os educadores e funcionários que tem uma larga experiência com crianças pequenas, o que favorece o desenvolvimento de muitas habilidades, como por exemplo, a autonomia". Ainda sobre a questão, a diretora da CEI afirma: "Se a tarefa dos professores já é difícil, mesmo tendo um acompanhamento (mesmo que precário), não acredito que as mães beneficiárias do prgrama pudessem realizar um trabalho melhor que o das CEIs, mesmo com curso e bolsa-auxílio".

Como solução para as deficiências da educação infantil, uma diretora de CEI, que não quis ser identificada durante essa entrevista, coloca alguns pontos onde acredita que deveriam ser melhorados para um melhor atendimento dentro das CEIs: "A criança (especificamente a de 0 a 3 anos), necessita de um espaço educativo e de cuidados que as CEIs oferecem, mas este espaço precisa ser melhorado". Segundo ela, é preciso investir em recursos humanos, em um programa de manutenção programada e na ampliação da estrutura física da CEIs. "Não existem espaços alternativos para a realização de atividades diversificadas como um pátio interno coberto ou uma brinquedoteca. Em dias de chuva, as crianças ficam confinadas entre a sala de aula e o refeitório".

Considerando que hoje, cada subprefeitura da cidade de São Paulo possui, em média 46 milhões de reais destinados à área da educação, teria, segundo uma diretora de CEI, que ser empregado no aumento da estrutura física da rede de educação infantil. "A educação infantil é muito importante. Novos CEIs e EMEIs precisam ser construídos para atender à demanda e os outros que existem precisam ser ampliados e melhor abastecidos, pois essa faixa etária requer muitos cuidados específicos, principalmente nas questões