Livro "A Ilha Roubada", de Sandro Vaia, relata difícil atuação de blogueira em Cuba
Livro "A Ilha Roubada", de Sandro Vaia, relata difícil atuação de blogueira em Cuba
A população de Cuba convive há cinco décadas com restrições às liberdades individuais. Embargo econômico instaurado pelos EUA em 1962, dificuldade no acesso à informação externa e incipiente liberdade de imprensa e expressão fazem parte da rotina dos habitantes. Esse é o panorama exposto pelo livro "A Ilha Roubada - Yoani, a blogueira que abalou Cuba", da editora Barcarolla.
A obra, escrita pelo jornalista Sandro Vaia - ex-diretor de redação do jornal O Estado de S.Paulo -, relata a história da filósofa Yoani Sánchez, autora do blog Generación Y e vencedora do prêmio Ortega Y Gasset de Jornalismo Digital. Mais do que uma obra literária, o livro traz à tona como é viver na ilha sob o regime criado por Fidel Castro.
| Arquivo pessoal |
| Sandro Vaia |
Mesmo com a dificuldade de acesso a informação digital, provocado pelas restrições ao o uso da internet, Yoani Sanchéz conseguiu, com pitadas críticas e fatos cotidianos de Cuba, tornar-se popular nos quatro cantos do globo. A repercussão do blog ganhou tamanho contorno a ponto da Yoani ser eleita pela revista Times uma das 100 pessoas mais influentes do mundo.
Em entrevista ao Portal IMPRENSA, o jornalista Sandro Vaia discorre sobre os pontos cruciais do livro e os problemas vigentes em Cuba sob a ótica de "A Ilha Roubada".
Portal IMPRENSA - Qual o objetivo principal na realização da obra? Houve alguma dificuldade ou represália na apuração das informações in loco ?
sandro Vaia - O principal objetivo do livro era mostrar a atuação individual de Yoani e a coragem dela de enfrentar o regime cubano. Apesar dos problemas, não tive dificuldade de realizar as entrevistas. Em Cuba fiquei em um hotel, com visto de turista e tive fácil acesso a Yoani e seu marido (Reinaldo Escobar).
IMPRENSA - No livro, você menciona que a atuação de Yoani serve para mostrar o cenário atual cubano. Que visão é essa que o leitor tira com base na obra?
Vaia - Acho que é uma visão desmistificadora da revolução cubana. Desde que foi implantado, muitos foram os argumentos, prós e contra. O livro mostra que a revolução foi uma ação que não deu certo. A principal visão é de um país com ausência de participação política e de expressão da população.
IMPRENSA - Pela sua atuação com o blog, Yoani foi eleita uma das 100 pessoas mais influentes no mundo pela revista Times . O que isso representa para a população cubana em meio ao cerceamento das liberdades individuais?
Vaia - A opinião do próprio Fidel Castro sobre a blogueira é incluída no livro, sob o velho slogan de "agente contra o imperialismo". É muito significativo o que o blog dela conseguiu. Ele tornou-se um dos mais acessados no mundo, com mais de sete mil visitas. Mostra a participação da população cubana, daqueles que vivem em Cuba e fora dela, contra o regime político.
IMPRENSA - Com base no livro, quais as principais dificuldades enfrentadas pela população cubana no cenário atual?
Vaia - Entre as dificuldades materiais está o salário da população, que é muito baixo. Isso mesmo com os subsídios do governo cubano. O acesso às mercadorias existentes é muito escasso. Mas, com certeza, as maiores dificuldades estão na pouca participação política da população e na falta da liberdade de expressão e informação na ilha.
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