Livro "A Ilha Roubada", de Sandro Vaia, relata difícil atuação de blogueira em Cuba

Livro "A Ilha Roubada", de Sandro Vaia, relata difícil atuação de blogueira em Cuba

Atualizado em 23/06/2009 às 17:06, por Thiago Rosa/Redação Portal IMPRENSA.

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A população de Cuba convive há cinco décadas com restrições às liberdades individuais. Embargo econômico instaurado pelos EUA em 1962, dificuldade no acesso à informação externa e incipiente liberdade de imprensa e expressão fazem parte da rotina dos habitantes. Esse é o panorama exposto pelo livro "A Ilha Roubada - Yoani, a blogueira que abalou Cuba", da editora Barcarolla.

A obra, escrita pelo jornalista Sandro Vaia - ex-diretor de redação do jornal O Estado de S.Paulo -, relata a história da filósofa Yoani Sánchez, autora do blog Generación Y e vencedora do prêmio Ortega Y Gasset de Jornalismo Digital. Mais do que uma obra literária, o livro traz à tona como é viver na ilha sob o regime criado por Fidel Castro.

Arquivo pessoal
Sandro Vaia

Mesmo com a dificuldade de acesso a informação digital, provocado pelas restrições ao o uso da internet, Yoani Sanchéz conseguiu, com pitadas críticas e fatos cotidianos de Cuba, tornar-se popular nos quatro cantos do globo. A repercussão do blog ganhou tamanho contorno a ponto da Yoani ser eleita pela revista Times uma das 100 pessoas mais influentes do mundo.

Em entrevista ao Portal IMPRENSA, o jornalista Sandro Vaia discorre sobre os pontos cruciais do livro e os problemas vigentes em Cuba sob a ótica de "A Ilha Roubada".

Portal IMPRENSA - Qual o objetivo principal na realização da obra? Houve alguma dificuldade ou represália na apuração das informações in loco ?
sandro Vaia -
O principal objetivo do livro era mostrar a atuação individual de Yoani e a coragem dela de enfrentar o regime cubano. Apesar dos problemas, não tive dificuldade de realizar as entrevistas. Em Cuba fiquei em um hotel, com visto de turista e tive fácil acesso a Yoani e seu marido (Reinaldo Escobar).

IMPRENSA - No livro, você menciona que a atuação de Yoani serve para mostrar o cenário atual cubano. Que visão é essa que o leitor tira com base na obra?
Vaia -
Acho que é uma visão desmistificadora da revolução cubana. Desde que foi implantado, muitos foram os argumentos, prós e contra. O livro mostra que a revolução foi uma ação que não deu certo. A principal visão é de um país com ausência de participação política e de expressão da população.

IMPRENSA - Pela sua atuação com o blog, Yoani foi eleita uma das 100 pessoas mais influentes no mundo pela revista Times . O que isso representa para a população cubana em meio ao cerceamento das liberdades individuais?
Vaia -
A opinião do próprio Fidel Castro sobre a blogueira é incluída no livro, sob o velho slogan de "agente contra o imperialismo". É muito significativo o que o blog dela conseguiu. Ele tornou-se um dos mais acessados no mundo, com mais de sete mil visitas. Mostra a participação da população cubana, daqueles que vivem em Cuba e fora dela, contra o regime político.

IMPRENSA - Com base no livro, quais as principais dificuldades enfrentadas pela população cubana no cenário atual?
Vaia -
Entre as dificuldades materiais está o salário da população, que é muito baixo. Isso mesmo com os subsídios do governo cubano. O acesso às mercadorias existentes é muito escasso. Mas, com certeza, as maiores dificuldades estão na pouca participação política da população e na falta da liberdade de expressão e informação na ilha.

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