Lira pede remoção de reportagens do ICL Notícias e da Agência Pública; entidades reagem
O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira ingressou com uma ação na Justiça do Distrito Federal visando a retirada de 47 vídeos dos programas dos canais ICL Notícias e ICL Economia no YouTube, além de reportagem da Agência Pública.
De acordo com UOL, Lira mira principalmente os conteúdos divulgados no dia 6 de junho sobre a investigação de suposto esquema de desvio de recursos públicos na compra de kits de robótica em escolas de Alagoas. Apuração da Polícia Federal atingiu o aliado e assessor de Lira, Luciano Ferreira Cavalcante.
A ação protocolada pelo presidente da Câmara também tem como alvo sua ex-mulher, Jullyene Lins. Na ação, o parlamentar pede indenização de R$ 300 mil por dano moral para o ICL e Pública.
O juiz Gustavo Fernandes Sales, responsável por julgar a ação na 24ª Vara Cível de Brasília, negou os pedidos para que a retirada dos conteúdos seja imediata, bem como para as ações correrem em sigilo.
Entidades de imprensa acusam Lira tentar silenciar a imprensa
Organizações de defesa do jornalismo, como Fenaj, Abraji, Repórteres Sem Fronteiras, Associação de Jornalismo Digital, Instituto Vladimir Herzog, Rede Nacional de Proteção de Jornalistas e Comunicadores, Instituto Palavra Aberta e Instituto Tornavoz, repudiaram a tentativa de Arthur Lira de silenciar meios de comunicação.
Para as organizações, é inadmissível que o presidente da Câmara dos Deputados faça uso do Judiciário para cercear conteúdos jornalísticos que lhe desagradam
"A negativa de retirada imediata das reportagens, proferida por dois magistrados diferentes, é um dos sinais do equívoco e do exagero do parlamentar em lidar com o noticiário e com os profissionais de imprensa em uma situação que, certamente, lhe causou desconforto", diz nota da Fenaj.
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