“Leitor terá a sensação de sobrevoar Brasília”, diz o fotógrafo Bento Viana sobre novo livro

Após 64 anos da inauguração da nova capital federal, proposta pelo ex-presidente Juscelino Kubitscheck, o repórter fotográfico Bento Viana registrou imagens de pontos fundamentais da cidade e pouco conhecidos pelos brasileiros.

Atualizado em 25/04/2014 às 17:04, por Christh Lopes*.

No livro “Do Céu, Brasília”, ele faz uma narrativa composta linearmente para que o leitor possa ter a sensação de sobrevoar a região. Produzida independentemente, a obra está disponível para compra pela .
Crédito:Arquivo pessoal Bento Viana mostra Brasília por outro ponto de vista
Com a intenção de desenvolver um conceito inspirado no trabalho do fotógrafo e ativista francês Yann Arthus-Bertrand, Viana começou a colocar em prática a ideia de traduzir em fotos o que a metrópole representa em decorrência de um projeto financiado pelo Estado. “Recebi um convite do governador do para produzir um livro que foi distribuído no mundo inteiro. Com 19 mil cópias, foi entregue ao Obama, ao Papa e ao imperador do Japão. Foi enviado a diversas autoridades. Só que ele estava restrito ao âmbito governamental”.
Posteriormente, o fotógrafo ficou dois anos voando pela região. “Me apaixonei pelo tema e resolvi fazer um livro meu, que estivesse disponível em livrarias, acessível para as pessoas”. Para dar prosseguimento à iniciativa, o também geógrafo conta que foi mergulhando na proposta e produzindo material, chegando a elaborar um acervo com mais de 38 mil fotos. “Foram 100 horas de voo registradas via helicóptero”. Em vias de seleção, o profissional teve a colaboração de Zuleica de Souza, que o ajudou com a curadoria ao escolher as 210 imagens que constam na publicação.
No entanto, o repórter fotográfico relata as dificuldades ao fazer um trabalho desvinculado de grandes empresas, ressaltando que o mercado de editoração no Brasil deixa a menor parte dos lucros para quem o produz o projeto. “Grande parte dos recursos seguem para impressão e a distribuição. Inclusive, tem lojas que não aceitam receber o nosso produto, pois só recebem se nós tivermos uma distribuidora por trás”. Contudo, ele conseguiu uma parceria com outras grandes corporações no ramo e se diz feliz com o passo “bem arrojado”.
“Queríamos experimentar fazer com a ‘nossa cara’ e não depender de outras coisas para o negócio acontecer, para ver como funciona. Existem algumas propostas de editoras para comprar o projeto, mas agora conhecemos o conceito de vender e produzir de forma independente, fazendo quase uma estratégia de ‘guerrilha’ na rede”, completa.

Com a plataforma de livre expressão disponível foi possível fazer com que a ação apresentasse de forma principal uma “visão inédita sobre a cidade mais importante em termos políticos, mas mal vista pela população brasileira”.
Segundo Viana, Brasília vai além do que as pessoas imaginam. Nesta concepção, foi possível mostrar uma região ainda “não revelada, em que até mesmo as pessoas que nasceram ou que chegaram para a construção dela questionam as maravilhas expostas na publicação". Um dos residentes da região questionou o repórter na exposição, que acontece no Espaço Gourmet do ParkShopping Brasília: "Nossa, que lugar é esse?", perguntou-lhe; o que surpreendeu de forma positiva o autor.
O roteiro segue como um voo, no qual é possível sentir-se sobrevoando a capital. “Ele começa na Esplanada, segue pelo Parque da Cidade, entra no Lago e passa pelo Aeroporto...”, contou o fotógrafo. Para o futuro, já estão sendo desenvolvidos projetos semelhantes. “Há negociações com outros estados, mas a princípio trabalho com o projeto ‘Niemeyer visto do céu’, no qual trabalho no momento para conseguir patrocínio visando viabilizar a materialização da ideia”.
Oscar Niemeyer é o principal arquiteto brasileiro e faleceu no ano em que o geógrafo começou a produzir o livro sobre Brasília. Fã de seu trabalho, Bento Viana tentou entrar em contato com ele, mas não obteve resposta. “Enviei meu trabalho uma vez. Há cerca de sete anos fiz a convite do Palácio do Planalto uma exposição em homenagem ao centenário dele. Mandei o catálogo da exposição, mas não sei se ele recebeu. Gosto muito de fotografar suas obras, mas não tive a oportunidade de conhecê-lo”, relatou.
De acordo com o profissional, o ponto fundamental que o levou para a concepção da publicação foi mostrar Brasília da perspectiva de seus idealizadores, “pois quando o Lúcio Costa e Niemeyer desenharam a cidade, a primeira visão que tiveram foi do alto, eles buscaram enxergar projeto pela prancheta. Buscamos entregar esta perspectiva ao leitor”.

Apesar de gostar de todo o projeto, Bento Viana admite que possui algumas imagens preferidas. Dentre eles, “a foto da Ponte JK, que foi registrada no último voo que fiz para a produção deste livro. Eu registrei um amanhecer do dia no local, em que o céu estava fantástico, com o helicóptero bem perto do lago. Ela tem um dourado, um amarelo, uns tons de laranja que são muito interessantes!”, declarou.

* Com supervisão de Vanessa Gonçalves


Confira algumas imagens: