Júlio Maria, do JT, fala sobre o projeto que faz famosos virarem "editores especiais"
Júlio Maria, do JT, fala sobre o projeto que faz famosos virarem "editores especiais"
Júlio Maria, do JT , fala sobre o projeto que faz famosos virarem "editores especiais"
PorDesde novembro de 2007, uma vez por mês, o Jornal da Tarde, que pertence ao Grupo Estado, conta com editores especiais para o caderno "Variedades". Entre as onze pessoas que já participaram do projeto "Editor Especial do JT", estão famosos como Caco Barcellos, Serginho Groisman, Hélio de La Peña, Maitê Proença e Zé do Caixão. A idéia foi do jornalista Júlio Maria, um paulistano de 35 anos, que começou como estagiário do JT há quase dez anos, e que há um ano e meio assumiu a editoria do "Variedades". Ele contou que a inspiração surgiu quando Bono Vox, vocalista da banda irlandesa U2, dirigiu por um dia o jornal britânico The Independent . "Resolvi fazer isso aqui no Brasil, mas com algumas adaptações. Achei que daria certo", lembra.
Ao Portal IMPRENSA Júlio revelou curiosidades dos bastidores, falou sobre o critério de seleção dos convidados e sobre as dificuldades de implementar o projeto, que agora ganhou espaço cativo no periódico
Portal IMPRENSA - Como surgiu a idéia de convidar editores especiais para o JT ?
Júlio Maria - A idéia surgiu quando ainda nem era editor. Foi quando o Bono, vocalista da banda U2, fez algo parecido no jornal The Independent . Resolvi fazer isso por aqui, mas com alguns ajustes. Quando assumi a edição do "Variedades", logo no segundo mês, sugeri a idéia para a Cláudia Belfort, diretora do jornal. No início, ela ficou meio receosa e achou melhor que fizéssemos somente duas páginas editadas por famosos e não o caderno inteiro, como acontece atualmente. Havia o medo de que a edição não fosse se sustentar. Aí foi uma briga. Eu dizia que ai dar certo e que era para a gente apostar.
IMPRENSA - Quem foi a primeira pessoa a ser convidada para participar do projeto?
Júlio - A idéia inicial era fazer uma edição especial com a Rita Lee, mas ela nunca veio. A Rita é difícil de sair de casa para topar esse projeto... Queríamos alguém com a cara do jornal e com a cara de São Paulo. Não sei porque mas fiquei com a idéia de que ela toparia...
IMPRENSA - Como funciona a participação dos convidados?
Júlio - A logística é a seguinte: o editor tem que vir à redação duas vezes. Ele vem primeiro fazer a reunião de pauta com a gente e, depois de 15 dias, ele volta para fazer o fechamento. Havia um temor de que não fosse funcionar com todos os convidados, mas tem dado certo.
IMPRENSA - Qual o critério de seleção dos participantes?
Júlio - O escolhido tem que falar para o nosso público, que hoje tem a Folha e o Estadão acima e o Diário de S. Paulo e o Agora abaixo. O JT quer justamente habitar entre esses dois públicos. O convidado não pode ser nem muito elitizado nem muito popular. A gente considera que o pessoal que trouxemos até agora está nesse meio termo. Começamos com o Serginho Groisman, depois veio o Caco Barcellos, o Hélio de La Peña, o Roberto Justus... o último foi o Zé do Caixão. Agora estamos trabalhando na edição dessa semana que é com o pessoal do "CQC".
IMPRENSA - Além da Rita Lee, quem mais já recusou o convite?
Júlio - Engraçado que as pessoas aceitam com facilidade participar. Elas acham legal e vêm para a redação, mas o Pelé rejeitou. Eu queria muito fazer uma edição especial com ele, justamente para eu ver o lado editor dele, para elaborar pautas de música que ele gosta. Mas acho que o convite foi feito na hora errada. Na ocasião, ele estava prestes a se separar, deveria estar louco com essa história. Ele agradeceu e tudo, pediu desculpas, mas disse que não poderia participar no momento. Agora estamos convidando o presidente Lula. Já entramos em contato com a assessoria dele no Planalto. Lógico que no começo todo mundo dá risada, mas é um projeto a longo prazo. Em janeiro do ano que vem devo cobrar de novo uma resposta.
IMPRENSA - Como fica o clima na redação com as visitas desses ilustres editores?
Júlio - Eu gosto muito porque quebra a rotina, dá uma oxigenada no ar da redação. Os caras [convidados] têm que atravessar a redação inteira para chegar na editoria de Variedades, que fica bem no final. Aí já rola aquele boca a boca, todo mundo fica comentando. Imagina subir de elevador com o Zé do Caixão?
IMPRENSA - Vocês já receberam algum retorno positivo do público? Houve um aumento nas vendas?
Júlio - Estamos começando a notar isso agora. Algumas edições vendem mais do que as outras. A da Adriane Galisteu, por exemplo, foi a que mais vendeu até agora, apesar de não ter sido considerada nossa melhor edição. Outras estão na média, como a do Amaury Jr. Mas como é uma vez por mês, o projeto precisa de mais tempo para "pegar" e acho que é a continuidade que está sendo responsável por isso. Em uma pesquisa qualitativa, feita no começo do ano, quando já havia sido produzida a primeira edição especial, percebemos que o leitor lembrava do caderno especial e falava "bacana aquela história que vocês fizeram com o Serginho Groisman...". O impacto no leitor JT está sendo bom.
IMPRENSA - O projeto tem data para acabar ou será uma série fixa?
Júlio - Acho que eles não querem acabar não (risos). É uma série fixa, não há uma data específica para ser publicada, mas toda última semana do mês vai às bancas. Nosso próximo editor será o cantor Ronie Von. Vamos continuar sim com o projeto e sem previsão para acabar.






