Jornalistas Superpoderosas X - Mônica Waldvogel

Jornalistas Superpoderosas X - Mônica Waldvogel

Atualizado em 18/03/2005 às 16:03, por Renata Toledo Piza - renatapiza@portalimprensa.com.br.

Jornalistas Superpoderosas X - Mônica Waldvogel

Por
Fotos: Adolfo Vargas

"Acho que a reportagem é o trabalho mais nobre do jornalismo. Estar junto das fontes, em cobertura onde as coisas estão acontecendo, sentir o humor do povo, o humor do poder, e relatar isso na matéria. Este é o grande trabalho do jornalista."

IMPRENSA: Vamos pegar carona nestes 20 anos de democracia. Na época das diretas, onde você trabalhava?
Mônica: Na época das diretas eu trabalhava na TV Manchete, em São Paulo. Estava começando a carreira.

IMPRENSA: Há vários mitos sobre a passeata do Vale do Anhangabaú. Dizem que alguns veículos manipularam as informações. Que lembranças você tem da cobertura jornalística da campanha?
Mônica:
No dia do movimento do Anhangabaú já estava consolidada a campanha pelas diretas. Eu me lembro bem daquele dia porque foi a primeira vez que subi em um helicóptero, para filmar de cima aquela longa fila de manifestantes. O primeiro comício, que foi na Praça da Sé, é que foi o mais controvertido. Os órgãos da imprensa entraram lentamente na campanha. Alguns abordaram aquilo como se fosse de fato o começo do grande movimento das diretas. Outros ainda estavam inseguros. Como o regime militar ainda estava instituído, havia receio de assumir aquilo como uma campanha contra o governo. Então, naquele dia, houve diferentes abordagens. No comício do Anhangabaú, já estava acomodada a idéia de que aquela movimentação significava mesmo uma campanha pelas eleições diretas para escolha do presidente pelo voto popular.

IMPRENSA: Qual foi mais marcante?
Mônica:
Nos dois eu tive a mesma participação, com entradas ao vivo e fazendo a reportagem. Mas eu me lembro muito bem do Anhangabaú, porque foi a primeira vez em que eu subi em um helicóptero (risos). Era um dia de tempo ruim, ventava muito e o helicóptero entrava por aquele corredor do Anhangabaú e sacudia...Eu fiquei nervosa. Além da emoção natural de ver todo o povo naquela expectativa, cheio de esperança pela participação política efetiva, pelo voto, senti essa emoção do medo e do susto de entrar em um helicóptero pela primeira vez.

IMPRENSA: O "Saia Justa" está sendo reformulado. Já se sabe como vai ficar?
Mônica:
Não. Nós sabemos que vamos manter o formado de quatro mulheres conversando e estamos à procura dessas outras três. Saíram todas: a Fernanda [Young], a Marina [Lima] e a Marisa [Orth].

IMPRENSA: Você continua?
Mônica:
Eu continuo na moderação. A gente vai fazer outro cenário, também vamos ter outra produtora. Eu espero que até o final de abril a gente já esteja estreando novamente.

IMPRENSA - É um programa que deu muito certo...
Mônica:
Ele mostrou que em uma conversa de mulheres - que é muito caótica, muito pouco cartesiana - existe alguma coisa de espetáculo, de show. As mulheres vão atravessando os assuntos de uma maneira diagonal. Vão cortando [assuntos] e, nesse corte, entra muita coisa que não estava prevista. Acho que a idéia é que a gente continue tentando, experimentando isso: fazer no programa a conversa que a gente tem em todos os lugares.