Jornalistas moçambicanos questionam nacionalidade de primeira-ministra e são processados
Jornalistas moçambicanos questionam nacionalidade de primeira-ministra e são processados
A Procuradoria-Geral da República de Moçambique interrogou na última segunda-feira (5) o diretor do semanário Zambeze e dois repórteres do mesmo jornal, autores de uma notícia em que levantam dúvidas acerca da nacionalidade moçambicana da primeira-ministra, Luísa Diogo.
Na notícia, com o título "A primeira-ministra Luísa Diogo é moçambicana?", publicada na edição de 1º de maio, os três jornalistas escrevem que a governante "está sob suspeita de nem sequer ser moçambicana".
Tal argumento viria do fato dela ter perdido a nacionalidade por força de uma deliberação da FRELIMO, partido no poder em Moçambique desde a independência do país, em 1975. A decisão, tomada pelo comitê central do partido cinco dias antes da independência do país, considerava que as mulheres moçambicanas que casassem com estrangeiros perdiam a nacionalidade.
Luísa Diogo casou em 1981 com o advogado Albano Silva, natural de Mirandela, Portugal, e, de acordo com o Zambeze , só em 1977 é que pediu a nacionalidade moçambicana, quando o prazo de 90 dias atribuído pela deliberação já havia expirado.
O jornal sublinha que "aparentemente, Luísa Diogo não pode ser primeira-pinistra" pelo fato de que esta função, como outras consideradas de soberania, não poderem ser exercidas por estrangeiros ou moçambicanos que mudaram de nacionalidade por aquisição ou reaquisição. Além disso, o jornal alega não ter encontrado nenhum documento afirmando que ela tenha readquirido a nacionalidade moçambicana.
A Procuradoria-Geral da República da cidade de Maputo questionou o diretor do Zambeze , Fernando Veloso, e os jornalistas Alvarito de Carvalho e Luís Nhachote sobre provas que sustentem as dúvidas levantadas em torno da nacionalidade de Luísa.
"Temos provas que sustentam que o marido da primeira-ministra nunca deixou de ser português. Pode até ter mantido a nacionalidade moçambicana, o que à época em que casou era inválido, porque não era admitida a dupla nacionalidade. Logo, a primeira-ministra perdeu a nacionalidade por força do casamento, e não podia ser indicada para os altos cargos que ocupou", afirmou Fernando Veloso.
O diretor do jornal lembrou ainda que ela foi vice-ministra das Finanças e titular do mesmo cargo antes de ser indicada para primeira-ministra, em 2003.
"Isto tudo [processos judiciais] não nos abala, embalam-nos para continuar a trabalhar, a fazer a nossa parte no serviço de informar com isenção", sublinhou o diretor do Zambeze , referindo-se a outros processos movidos contra o jornal, dois dos quais pelo Procurador-Geral da República, Augusto Paulino, e pelo presidente do Tribunal Supremo, Mário Mangaze, por difamação.
As informações são do site Angola Press
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