Jornalistas da Al Jazeera são condenados a três anos de prisão no Egito

Os jornalistas Peter Greste,  Baher Mohamed e Mohamed Fahmy, do canal árabe Al-Jazeera, foram condenados a três anos de prisão no Egito

Atualizado em 31/08/2015 às 09:08, por Redação Portal IMPRENSA.

Os jornalistas Peter Greste, Baher Mohamed e Mohamed Fahmy, do canal árabe Al-Jazeera, foram condenados a três anos de prisão no por "divulgação de informações falsas" e trabalhar sem as autorizações necessárias em 2013.
Crédito:Reprodução Jornalista foram condenados a três anos de prisão no Egito
Segundo a AFP, Greste foi julgado in absentia , depois de ter sido expulso para a Austrália em fevereiro sob um decreto presidencial. Fahmy e Mohamed foram presos no tribunal logo após o anúncio da decisão.
O juiz Hassan Farid alegou que os três "não eram jornalistas", pois não estavam registrados como deveriam junto as autoridades competentes. Para a justiça egípcia, os profissionais apoiaram a Irmandade Muçulmana, do ex-presidente Mohamed Mursi.
A Al-Jazeera afirmou que irá recorrer junto ao Tribunal de Cassação, que pode confirmar ou anular a sentença. Se anular, o próprio órgão deverá examinar o caso. A advogada de Fahmy, Amal Clooney, disse que irá encontrar as autoridades do governo para pedir o perdão presidencial e a expulsão de seu cliente.
Em um primeiro julgamento, realizado em junho de 2014, Fahmy e Greste haviam sido condenados a sete anos de prisão e Mohamed a dez. O Tribunal de Cassação, entretanto, anulou as condenações e pediu outra avaliação.
Na abertura do novo julgamento, em fevereiro, Mohamed e Fahmy foram colocados em liberdade condicional depois de mais de 400 dias de prisão. "Este é um precedente perigoso no Egito, [ver] que jornalistas podem ser presos simplesmente por informar e que os tribunais podem ser usados como ferramentas políticas", lamentou Amal.
"Estou chocado, terrivelmente chocado", desabafou o irmão de Fahmy, Adel. O diretor executivo da Al-Jazeera qualificou a condenação dos jornalistas como "ultrajantes e repugnante". No site da emissora, Greste denunciou a sentença como "escandalosa". "Não fizemos mal a ninguém", completou.
Três co-réus egípcios dos jornalistas também foram condenados a três anos de prisão, enquanto outros dois foram absolvidos. Eles foram julgados por pertencer à Irmandade Muçulmana e por buscar "prejudicar a imagem do Egito".
De acordo com o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), pelo menos 18 profissionais, em sua maioria acusadas de pertencer à Irmandade Muçulmana, estão presos no Egito.
Governo canadense pede repatriação de jornalista
No último sábado (29/8), o Canadá exigiu a libertação “imediata e sem condições” de Mohamed Fahmy. “O governo do Canadá continua pedindo ao governo egípcio para usar todos os meios à sua disposição para resolver o caso de Fahmy e permitir seu regresso imediato ao Canadá”, disse a secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros canadense, Lynne Yelich.
Segundo a Agência Lusa, em comunicado, Lynne ressaltou que o governo canadense debate o assunto com altos representantes egípcios e que os contatos em torno de uma negociação serão mantidos. Em janeiro, o então ministro dos Negócios Estrangeiros do Canadá, John Baird, tentou a repatriação de Mohamed Fahmy mas, semanas depois, renunciou ao cargo.