Jornalistas americanos expulsos da China: guerra fria em pleno surto de coronavírus

Numa retaliação que vem sendo classificada como sem precedentes, todos os 13 jornalistas que atuavam nas sucursais chinesas de três grandes veículos de mídia americanos (New York Times, Washington Post e Wall Street Journal) foram impedidos de reportar a partir do país.

Atualizado em 18/03/2020 às 11:03, por Redação Portal IMPRENSA.


De acordo com Geng Shuang, porta-voz do ministro de relações exteriores da China, a medida foi tomada após Washington impor restrições a veículos da mídia estatal chinesa nos EUA.
"Pedimos que os EUA parem imediatamente de suprimir a mídia chinesa, do contrário perderão ainda mais", disse Chuang.
Porta-voz do ministro das relações exteriores da China: EUA podem perder mais
No mês passado os EUA passaram a classificar a mídia estatal chinesa como missão estrangeira, aumentando o controle sobre sua atuação no país.
Além de restringir jornalistas dos EUA de trabalhar dentro de suas fronteiras, a China vem expulsando correspondentes americanos. No mês passado três correspondentes do Wall Street Journal foram expulsos do país.
Para alguns especialistas, em termos numéricos a mídia americana tem mais a perder caso haja novas retaliações. Atualmente há 29 veículos da imprensa americana atuando na China.
A tensão entre os dois países que resultou nas retaliações à imprensa de ambos os lados também foi impulsionada por postagens na internet do presidente Donald Trump, nas quais ele chama o Covid-19 de "vírus chinês".
Muitos dos correspondentes estrangeiros que foram impedidos de trabalhar na China fizeram reportagens recentes sobre o surto de coronavírus em Wuhan.

Guerra fria
O time de editorialistas do New York Times sugeriu que a expulsão de jornalistas americanos na China é um "infeliz eco da guerra fria" Dean Baquet, editor executivo do New York Times, disse que a decisão do governo chinês é especialmente irresponsável numa época em que o mundo precisa de informação com credibilidade sobre a pandemia de coronavírus.
Já o Clube de Correspondentes Estrangeiros da China (FCCC, na sigla em inglês) emitiu nota lembrando que mais banimentos podem vir a ocorrer e que a China "perde luz" com esse tipo de política diplomática.
Matt Murray, editor chefe do Wall Street Journal, chamou a medida chinesa de ataque sem precedentes à liberdade de imprensa.
Por sua vez, Marty Barton, editor executivo do Washington Post, também sublinhou a gravidade da medida em virtude da crise global sem precedentes causada pelo Covid-19.