Jornalista russo pode pegar 24 anos de prisão por publicar informações disponíveis online

Os advogados de defesa do jornalista russo Ivan Safronov, que está sendo julgado em seu país por traição, afirmaram nesta terça-feira (30) que os promotores que atuam no caso pediram uma pena de 24 anos depois que seu cliente se recusou a se declarar culpado em troca de um período de detenção de 12 anos.

Atualizado em 30/08/2022 às 15:08, por Redação Portal IMPRENSA.

O veredicto está marcado para 5 de setembro.
Antes de se tornar assessor do chefe da agência espacial russa, em maio de 2020, Safronov trabalhou para os jornais Vedomosti e Kommersant. Durante esse período, ele é acusado de ter passado segredos militares sobre vendas de armas russas no Oriente Médio e na África para a República Tcheca, país membro da Otan.
Safronov foi preso em julho de 2020 e nega as acusações. Segundo os promotores, ele cometeu o crime depois que colaborou com um site de notícias tcheco. O jornalista, por sua vez, diz que todas as informações que publicou foram "inteiramente baseadas em fontes abertas". Crédito: Andrej Ivanov / AFP Ucraniana carrega cartaz contra Vladimir Putin: censura russa à imprensa cresceu vertiginosamente após guerra A informação de que os promotores querem condená-lo a 24 anos de prisão foi passada pelo advogado Yevgeny Smirnov. Ele integra uma associação liderada pelo ex-advogado do jornalista, Ivan Pavlov, que está exilado na Geórgia.
Em um texto no Facebook, Smirnov afirmou que o juiz do caso ignorou como álibi um artigo do site investigativo russo Proekt, que mostra que a informação que Safronov foi acusado de divulgar estava disponível online.
Censura
Fortemente acentuada com a guerra na Ucrânia, a censura russa sobre o jornalismo produzido e veiculado no país levou ao colapso de todo um ecossistema de veículos de notícias independentes, isolando cada vez mais o público local do resto do mundo.
O ápice da repressão estatal aos veículos e profissionais de imprensa russos ocorreu com uma mudança no Código Penal aprovada oito dias após a invasão da Ucrânia. Com ela, tornou-se crime a divulgação de quaisquer “informações falsas” envolvendo o exército russo e a guerra com o país vizinho. De acordo com a lei, os jornalistas não podem descrever o conflito como uma “guerra”, e sim como “operação militar especial”.
Quem for considerado culpado por passar “informações deliberadamente falsas” sobre os “relatórios confiáveis” do governo terá que pagar multas pesadas, cujos valores equivalentes em reais ultrapassam os R$100 mil. Caso as "falsidades" sejam sobre os militares russos, os jornalistas podem ser condenados a penas de até 15 anos de prisão.
Desde que a lei foi aprovada, mais de 30 meios de comunicação russos foram forçados a fechar, incluindo Meduza, The Moscow Times, TV Rain, Znack e The Bell.
Considerado o principal jornal independente do país, o Novaya Gazeta, que era editado pelo vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 2021, Dmitry Muratov, suspendeu as operações após ameaças do Roskomnadzor, o temido órgão regulador de mídia russo. Já a Echo of Moscow, uma das poucas estações de rádio independentes da Rússia, foi retirada do ar durante o horário nobre.