Jornalista russa é detida em hospital psiquiátrico após denunciar torturas no país
Jornalista russa é detida em hospital psiquiátrico após denunciar torturas no país
A jornalista russa e militante de oposição Larissa Arap foi internada à força, no dia 6 de julho, em um hospital psiquiátrico do país. Segundo a ONG Repórteres Sem Fronteiras, a detenção ocorreu porque a repórter teria denunciado o uso de práticas de tortura em alguns hospitais psiquiátricos da região em que vive, no norte da Rússia.
O artigo em questão foi publicado no dia 8 de junho no jornal Marcha dos Dissidentes , pertencente a um movimento de oposição ao governo russo. Baseado em testemunhos de padres e crianças, o texto denunciava, entre outras coisas, o uso de eletro-choques no tratamento psiquiátrico de hospitais infantis.
Ainda de acordo com a ONG RSF, a prisão ocorreu quando Larissa procurou uma clínica para renovar sua permissão para dirigir. No momento em que Larissa foi fazer o teste, ela teria sido reconhecida por um médico que imediatamente chamou a polícia e internou a jornalista em um hospital psiquiátrico fechado, a 150 km da cidade de Murmansk.
Em nota, a ONG afirma que "a internação de Larissa Arap fez reviver as lembranças dos momentos mais negros do regime soviético, quando, para silenciar os dissidentes, se recorria com freqüência a internações à força em hospitais psiquiátricos".
Um porta-voz do governo da região desmentiu que na Rússia se possa hospitalizar uma pessoa por razões políticas ou por exercer uma atividade profissional. "Excluo totalmente a idéia que se possa tratar de um caso de repressão política. Não existe nenhum tipo de perseguição aos opositores. Todo mundo tem possibilidade de manifestar seus pontos de vista. Isto é um absurdo", disse.






