Jornalista rebate MPF após processo por incitar terrorismo: "Criminalização da reportagem"
O jornalista Felipe de Oliveira lamentou responder processo oferecido pelo Ministério Público Federal por crime de promoção do terrorismo, após ter se inflitrado em grupos de simpatizantes do Estado Islâmico para executar reportagem veiculada pela TV Globo em 2016.
Para o órgão, o jornalista “ultrapassou o limite do tolerável e promoveu a organização terrorista Estado Islâmico”. “Lamento a posição do MPF. Cumpri com meu dever de repórter investigativo e confio na Justiça. Certamente o juiz há de compreender que jamais houve outra intenção que não fosse divulgar para as autoridades e para o público em geral, o risco que essas entidades podem ocasionar ao país. Em todo tempo cooperamos com as autoridades e entendemos como absurda essa acusação”, disse Oliveira ao Portal Imprensa.
O repórter garante que toda atividade dele foi monitorada pelas autoridades. “Menos de três dias após as primeiras apurações, entramos em contato com a Polícia Federal, que foi até a TV Globo, onde repassamos todas as informações e dados que havíamos conseguido. Cooperamos em todo tempo”, afirmou
O delegado da PF Guilherme Torres, na conclusão do inquérito, escreveu que Oliveira “não teve a postura esperada de um jornalista, a qual deveria ser somente a apuração dos fatos e, em havendo crime, informar à autoridade competente”, reportou a Abraji.
A acusação assinada pelo procurador da República Rafael Brum Miron afirma que “o objetivo dele (Oliveira) talvez não fosse promover o terrorismo, mas por diversos momentos ele incentivou o ilícito”, diz o texto reportado pela Abraji. “O limite em uma investigação desse tipo é não incidir no crime que se está apurando”, escreveu.
O repórter, porém, discorda dos servidores. “Em todo tempo cumpri com meu papel de jornalista investigativo, inclusive informando todos os fatos as autoridades. Todo processo de infiltração foi com fins jornalísticos”. Oliveira ainda se diz preocupado com o futuro do jornalismo investigativo e diz temer pela criminalização da reportagem
Oito integrantes de grupos nos quais Oliveira se infiltrou foram presos na Operação Hashtag, realizada pela PF pouco antes do início dos Jogos Olímpicos de 2016, conforme reportou o jornal Nexo. A operação tinha o objetivo de desarticular células terroristas que pudessem cometer atentados contra a edição da Olimpíada que seria realizada em agosto do mesmo ano, no Rio de Janeiro.
Leia mais:





