Jornalista que atuou na campanha de Serra levou ao MP homem que acusa Chalita

Um assessor da campanha de José Serra (PSDB) à Prefeitura de São Paulo em 2012, o jornalista Ivo Patarra, levou o analista de sistemas

Atualizado em 28/02/2013 às 09:02, por Redação Portal IMPRENSA.

Jornalista que atuou na campanha de Serra levou ao MP homem que acusa Chalita

Atualizada às 11h08

Um assessor da campanha de José Serra (PSDB) à Prefeitura de São Paulo em 2012, o jornalista Ivo Patarra, levou o analista de sistemas Roberto Grobman ao Ministério Público para que ele pudesse apresentar denúncias de corrupção contra o deputado Gabriel Chalita (PMDB). O parlamentar é acusado de receber R$ 50milhões de empresários quando ainda era secretário de Educação de São Paulo, informou a Agência Estado, na última quarta-feira (27/2).


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Crédito:Agência Brasil Deputado é acusado de cobrar propina quando era secretário de educação de SP

Ao encaminhar Grobman ao promotor, Patarra foi orientado pelo deputado Walter Feldman (PSDB), um dos coordenadores da campanha do PSDB.

Segundo o jornalista, ele teria levado Grobman ao MP."Eu estive lá e acompanhei os quatro depoimentos iniciais dele. De certaforma, fez parte do meu trabalho na época". De acordo com ele, fez isso porque “estava na campanha”.

Apesar do denunciante comparecer com Patarra duas vezes aoMP durante a disputa do segundo turno das eleições, as informações dele sobre Chalita não vieram à público na época porque os promotores não avançaram nasinvestigações, uma vez que o deputado desfruta de prerrogativa de foro diante do Supremo Tribunal Federal.

Grobman afirma ter atuado como como assessor informal deChalita na secretaria de Educação e ter presenciado Chalita receber, ao menos, seis vezes malas e caixas com “pilhas de notas de dinheiro”. Segundo sua denúncia, o deputado cobrava 25% de empresas interessadas em firmar contratos comsua pasta.

Embora Patarra diga que trabalhou formalmente na campanha de Serra, declarou que, embora tenha recebido pelos serviços prestados, nunca emitiu nenhuma nota fiscal que comprovasse o pagamento de suas “assessoria política”. Entretanto, em novembro de 2012, Feldman pediu reembolso à Câmarados Deputados pela prestação de serviços da empresa Ivo Patarra ComunicaçõesLtda., que emitiu a nota fiscal no valor de R$ 9 mil. O ex-coordenador da campanha de Serra nega que o valor tenha sido pago pela assessoria política do jornalista. "Era totalmente outro serviço. Não tinha nada a ver."

De acordo com o deputado Walter Feldman, não houve intençãode fazer uso político da acusação para prejudicar Gabriel Chalita e seu aliado Fernando Haddad (PT) durante a campanha eleitoral. Segundo ele, o encaminhamento de Grobman no MP foi "uma tarefa cidadã".


Resposta de Feldman

A assessoria de imprensa do deputado Walter Feldman enviou à IMPRENSA uma nota sobre o assunto. No comunicado entitulado "Um álibi de desvio de foco", o parlamentar diz que "ao receber a grave denúncia formulada pelo Sr. Roberto Grobman, no segundo semestre de 2012, fizemos o que cabe a qualquer agente público: encaminhar ao Ministério Público para investigar e não transformá-la em matéria político eleitoral".

Feldman defende que a intenção em fazer a denúncia ao MP não era criar um escândalo, visto que "teria oportunidade de fazer isso no auge do período eleitoral".

Ainda segundo a nota, o deputado diz que "para reforçar a extensão e seriedade do problema e o envolvimento de outros atores, o Sr. Roberto apresentou o Sr. Milton Leme em conversa expedita de cinco minutos, a qual não acrescentou nenhuma informação adicional".

"Absolutamente não houve nenhum contato complementar ou qualquer tratativa a não ser o reforço de encaminhamento ao Ministério Público. Seria ingênua, irresponsável ou primária qualquer atitude diferente desta", diz Feldman.

Ele ainda se defende das acusações, reforçando que, apesar sua participação em campanhas eleitorais há quase trinta anos, "muitas das quais em posição de destaque", nunca sofreu qualquer acusação, pois "seria primário e ineficaz tomar uma atitute como esta que tentam me imputar".

Na sua opinião, esta é "uma manobra de desvio de foco do real problema amplamente divulgado pela imprensa nacional", uma vez que "essa prática não corresponde nem à minha história pessoal nem à intransigente postura do PSDB de compromisso com a ética".