Jornalista policial é vítima de tentativa de assassinato na Holanda

Peter De Vries levou cinco tiros, um na cabeça, e está em estado grave no hospital

Atualizado em 08/07/2021 às 10:07, por Redação Portal IMPRENSA.

O jornalista Peter R. de Vries, famoso na Holanda por reportar casos envolvendo o crime organizado, sofreu uma tentativa de assassinado na noite do dia 6 de junho, no centro de Amsterdã.
De Vries que tem 64 anos, foi atingido por cinco tiros - um na cabeça, segundo testemunhas -, a deixar o estúdio da emissora RTL após participar de um programa, por volta das 19h30 (horário local) e foi hospitalizado em estado grave. Crédito:Reprodução/Twitter O jornalista Peter De Vries A polícia prendeu dois suspeitos. Um homem de 35 anos, polonês, que mora na Holanda, e um outro de 21 anos, de Roterdã.
A Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ) e a Federação Europeia de Jornalistas (FEJ) denunciaram o atentado como um "trágico golpe" contra a liberdade de imprensa, e pediram providências. A ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF) e o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) também manifestaram solidariedade.
O repórter era frequentemente alvo de ameaças de morte em razão do seu trabalho. Na data do ataque, ele estaria trabalhando em um caso conhecido no país como 'julgamento de Marengo', onde 17 réus são investigados por fazer parte de uma espécie de mafia marroquino-holandesa responsável por assassinatos e tentativas de assassinato entre 2015 e 2019.
Segundo o jornal alemão Deutsche Welle, De Vries estava trabalhando como consultor para o ex-criminoso Nabil B., que testemunhava contra um dos nomes-chave do processo, Ridouan Taghi, um conhecido traficante de cocaína e líder do grupo na capital alemã. Duas pessoas próximas a Nabil já foram assassinadas por pessoas ligadas a Taghi - o irmão e o advogado.
O jornal De Telegraaf, onde De Vries começou sua carreira, estima que o jornalista tenha investigado mais de 500 assassinatos, sofrendo diversas ameaças, inclusive de Taghi, que o teria colocado em uma "lista negra".
O jornalista Michel Kerres, do jornal NRC, tabém especializado na área criminal, disse à DW que anda não é possível dizer que o ataque está ligado a esse caso, em específico. "Ele está envolvido com todos os principais crimes na Holanda na última decada. Ele tem um monte de inimigos", disse.