Jornalista italiano é expulso de país africano sem explicações
Jornalista italiano é expulso de país africano sem explicações
O jornalista italiano Carlo Porcedda que se encontra em reportagem há dois meses e meio em São Tomé e Príncipe - localizado a 300km da África - foi expulso do país, na última quinta-feira (11), por autoridades locais que retiraram a credencial que lhe fora concedida para efetuar a reportagem intitulada "São Tomé e Príncipe: Do Cacau Ao Petróleo". Nesta terça-feira (16), o primeiro-ministro do país, Rafael Branco, disse não poder especificar as razões da expulsão por dispor de "poucos dados" sobre o fato, informou o jornal são-tomense Correio da Semana .
"Não tenho informações concretas. Estava em Taiwan quando soube que tinha sido dada uma ordem de expulsão. Teria havido a intervenção do Ministério da Justiça no sentido de garantir que os seus direitos fossem protegidos e que não estariam sendo violados", afirmou Branco.
"Somos um país democrático e respeitamos as liberdades dos órgãos de comunicação social, estatais ou privados. Os estrangeiros que vão trabalhar para a nossa terra são bem vindos, mas exigimos que, se vão à nossa terra, que cumpram as nossas leis e que cada um faça o seu trabalho profissional sem imiscuir-se noutros assuntos", acrescentou o primeiro-minsitro, sem, no entanto, especificar o que de fato aconteceu.
Segundo o Correio da Semana não foram apresentadas ao profissional italiano, afiliado na Federação Internacional de Jornalistas e detentor da Carteira Internacional de Jornalista, as razões para a expulsão.
Fontes oficiais disseram ao periódico são-tomense, sem entrar em detalhes, que o jornalista tinha contatos com "pessoas suspeitas" e que estava entrando "em áreas melindrosas". "O Estado, para tomar essa decisão, é porque o assunto é grave", acrescentaram as fontes, que não foram identificadas pelo jornal.
Em declarações ao Correio da Semana , Porcedda garantiu que não fez nada de forma consciente para violar as leis do país e alegou que, ao solicitar o visto, definiu o objetivo da sua visita à ilha.
"Todas as tentativas que o jornalista italiano fez para obter uma explicação do embargo junto dos Ministérios e encontrar um consenso que lhe permitisse continuar a trabalhar não surtiram efeito. Transformou-se num jogo de empurra. Porcedda, inclusive, manifestou-se disponível a mostrar todas as imagens que registrou para serem analisadas, como manifestação da sua boa fé", diz uma reportagem do jornal.
Leia mais






