Jornalista é condenado na Nicarágua por publicar vídeo sobre celebração da Páscoa

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) informou hoje que a Justiça da Nicarágua condenou o jornalista Victor Ticay, da emissora televisiva Canal 10, por gravar e publicar, em abril último, uma celebração de Páscoa na cidade de Nandaime.

Atualizado em 13/06/2023 às 17:06, por Redação Portal IMPRENSA.

dos Jornalistas (CPJ) informou hoje que a Justiça da Nicarágua condenou o jornalista Victor Ticay, da emissora televisiva Canal 10, por gravar e publicar, em abril último, uma celebração de Páscoa na cidade de Nandaime. As celebrações católicas são proibidas pelo governo da Nicarágua.
Oficialmente o jornalista foi condenado por atentar contra a integridade nacional e divulgar notícias falsas. De acordo com o CPJ, o profissional de imprensa foi transferido para a Prisão Jorge Navarro e não teve direito a um advogado de defesa.
Na Nicarágua, a ofensa à integridade nacional é considerada um tipo de traição, punível com até seis anos de prisão. Já a divulgação de notícias falsas é considerada uma forma de cibercrime, que pode levar a até 10 anos de prisão. Crédito: Alertas de Prensa Nicaragua Victor Tray, da emissora televisiva Canal 10: condenado por atentar contra integridade nacional “É chocante o quão longe as autoridades nicaraguenses estão dispostas a ir para silenciar um jornalista”, disse Carlos Martinez de la Serna, diretor do CPJ em Nova York. “Victor Ticay não cometeu nenhum crime e as autoridades da Nicarágua devem encerrar esse absurdo processo criminal contra ele, libertá-lo imediatamente e parar de criminalizar o jornalismo.”
Durante o julgamento, o Ministério Público da Nicarágua convocou policiais e apoiadores do governo como testemunhas de acusação. Segundo o site de notícias Despacho 505, eles disseram ao juiz que os vídeos feitos pelo jornalista “representam uma ameaça à paz e à estabilidade das famílias nicaraguenses”.
Campeão de ataques à liberdade de imprensa
Governada pelo presidente Daniel Ortega, que foi reeleito para seu quarto mandato em 2021, num processo eleitoral questionado por União Europeia, Organização dos Estados Americanos (OEA) e Nações Unidas - mas celebrado pelo Partido dos Trabalhadores (PT), no Brasil -, a Nicarágua é hoje um dos países que mais atacam a liberdade de imprensa no mundo.
No ano passado, Ortega ordenou a retirada do sinal da CNN en Español do ar. Na ocasião, a emissora lembrou que atuava na Nicaraguá há 25 anos e que continuaria oferecendo conteúdo jornalístico ao público nicaraguense no site cnnespanol.com.
Além de perseguir a imprensa, Daniel Ortega, que foi um revolucionário e tomou o poder depois de ajudar a derrubar o ditador Anastasio Somoza Debayle, vem desencadeando uma campanha de terror político no país, focada na repressão brutal a vozes dissidentes.
Meses antes das eleições presidenciais, seu governo começou a usar uma lei de segurança nacional como subterfúgio para prender candidatos e líderes da oposição, além de ativistas de direitos humanos. Dezenas de presos políticos foram para a prisão El Chipote, onde o próprio Ortega foi preso na década de 1970.
No ano passado, a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) divulgou um documento alertando sobre o processo de degradação da liberdade de imprensa na Nicarágua. Assinado por 25 entidades representativas de jornalistas e veículos de comunicação, incluindo quatro brasileiras (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, Associação Nacional de Jornais, Associação Brasileira de Rádio e Televisão e Associação da Imprensa de Pernambuco), o comunicado ressaltou os diversos ataques desferidos pelo governo de Daniel Ortega contra jornalistas e órgãos de imprensa do país.