Jornalista é ameaçado por monitorar canais bolsonaristas no YouTube
Jornalista com passagens por grandes redações, o também pesquisador e programador Guilherme Felitti vem sendo ameaçado e perseguido nas redes sociais por seu trabalho de monitoramento de canais de extrema direita no YouTube.
Atualizado em 28/04/2022 às 17:04, por
Redação Portal Imprensa.
Os ataques multiplicaram-se a partir de março, quando Felitti divulgou que, com medo de problemas com a Justiça Eleitoral, youtubers bolsonaristas que anunciaram pré-candidaturas nas eleições de outubro começaram a apagar vídeos de seus canais com críticas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Supremo Tribunal Federal (STF). Crédito: Reprodução Twitter Ódio digital: um de muitos ataques ao jornalista e programador Guilherme Felitti disponíveis no Twitter
Felitti fundou em 2016 a empresa de dados digitais Novelo Data. Dentre suas realizações está a criação, em 2018, de um robô que, com base em dados gratuitos e abertos, mapeia vídeos de bolsonaristas com grande número de visualizações no YouTube.
Daniel Silveira
Com esta tecnologia, Felitti descobriu que youtubers bolsonaristas têm tirado do ar conteúdos que, além de atacar o TSE, o STF e seus ministros, elogiam o deputado federal Daniel Silveira. A publicação dessas informações no Twitter de Felitti teria levado à onda de ataques.
Com mais de 800 mil seguidores no YouTube e uma das principais vozes bolsonaristas na plataforma, o pré-candidato a deputado federal pelo PL de Goiás Gustavo Gayer teria iniciado o movimento contra Felitti ao publicar um vídeo em seu canal com o título: “Urgente! O Globo prepara uma matéria para me destruir”.
Nele, o youtuber falou de uma reportagem baseada nos dados da Novelo Data e admitiu que apagou vídeos que mencionavam o STF. "Mas não porque eu tinha cometido algum crime ali, não de acordo com a Constituição. Mas porque talvez eu tenha cometido o crime de mostrar a minha indignação quando o Lula é liberado para concorrer à presidência, de falar que nós estamos vendo jornalistas sendo presos, manifestantes sendo presos, inquéritos ilegais sendo abertos, um ataque constante à nossa liberdade de expressão."
Após esse vídeo, outros youtubers de extrema direita passaram a atacar e ameaçar Felitti, inclusive divulgando dados da sua empresa, como endereço e telefone.





