Jornalista do Guardian é espancado no Paquistão

O jornalista paquistanês Waqar Kiani, colaborador do jornal britânico The Guardian, foi espancado por homens uniformizados, na noite do último sábado (18), enquanto dirigia pela capital Islamabad (Paquistão), informa o .

Atualizado em 20/06/2011 às 10:06, por Redação Portal IMPRENSA.



Há cinco dias, Kiani havia publicado uma matéria, em que revelava um esquema de seqüestros e tortura de militantes islámicos, supostamente realizada por agentes do serviço de Inteligência do governo país muçulmano.
Segundo o tabloide britânico, homens com uniformes policiais abordaram o ve?culo do rep?rter e mandaram-no sair do carro. Depis, espancaram o jornalista com tacos e socos e afirmaram que queriam mostrá-lo como exemplo. "Vocâ quer ser um herói? nós te faremos um", relata Kiani , sobre a intimidação que sofreu.
Esta é a segunda vez que o jornalista foi alvo de intimidação por causa de sua profissão. Em 2008, ele foi seqüestrado e levado para um local afastado, onde sofreu interrogatório, espancamentos e queimaduras. Na época, ele havia sido ameaçado para não revelar a violência que havia ocorrido.
Pela quantidade de detalhes que os agressores sabiam sobre ele - contatos com outros jornalistas, dados de conta bancária - Kiani deduziu que eles pertenciam ao governo.

Sobre a revelação da história - e a violência que sofreu após sua publicação - Kiani afirma não ter se arrependido. "Eu não sinto que fiz nada de errado. Jornalistas não podem ficar calados para sempre no Paquistão", disse. "Se nós não levantarmos os fatos, então não é mais jornalismo - nos tornamos porta-vozes do governo".
O Sindicato dos Jornalistas no Paquistão condenou o ocorrido e exigiu do governo medidas para garantir a segurança dos profissionais de comunicação no país. O país é considerado o local mais perigoso para jornalistas no mundo. Somente nos últimos 18 meses, 16 desses profissionais foram mortos na região.