A sociedade secreta do sexo não tem uma sigla, um rosto ou qualquer identificação convencional, mas existe. Os adeptos podem ser qualquer um que você encontra e conversa diariamente na rua, no trabalho, em casa. Tratam-se de pessoas comuns, mas com uma parte de suas vidas dominada pelo sexo. Para viver intensamente suas fantasias sem enfrentar discriminação nos círculos tradicionais, elas preferem o anonimato e se relacionam em comunidades inacessíveis para quem não é do meio. Ou quase.
Levado por alguém que sabia sua identidade e que garantia seu acesso, o jornalista Marcos Nogueira teve acesso a este grupo secreto e conta o que viu no livro “Sociedade secreta do sexo”. “Tive medo de não me inserir no grupo e ser hostilizado. Achei que a apuração seria muito difícil. Mas me comprometi a garantir o anonimato dos personagens e eles se abriram”, lembra. “Uma coisa que entendi dessas fantasias é que as pessoas gostam de aparecer, mas sem dizer quem são”. Crédito:Divulgação Livro tem 224 páginas e parte das observações do jornalista Lançado em maio de 2014, pela Editora LeYa, a obra surgiu indiretamente no ano de 2009, quando Nogueira, então na revista masculina VIP , e Cláudia de Castro Lima, editora da publicação, estiveram na primeira festa da sociedade internacional de libertinos “Madame O” no Brasil, realizada em São Paulo. A reportagem teve boa repercussão, mas o assunto ficou adormecido por alguns anos. No fim de 2012, Nogueira soube que a editora buscava autores, lembrou da matéria e sugeriu a pauta. A empresa topou e ele retomou a apuração.
Um mundo à parte Sozinho ou ao lado da esposa, a também jornalista Mariana Weber, durante cerca de um ano Nogueira percorreu algumas cidades brasileiras e foi a outras festas exclusivas no México, na França e na Itália. Além das entrevistas e da pesquisa em livros, sites e artigos, ele visitou sete orgias, frequentou oito clubes de swing, e se hospedou em um resort para swingers. “Era [um hotel] para casais, eu era a única pessoa avulsa no meio. Situação meio constrangedora...”, recorda.
O fato de sua esposa ser jornalista ajudou muito no trabalho, pelo entendimento e respeito mútuo sobre a profissão. Na Itália, por exemplo, a apuração só foi possível graças à viagem feita em família. “Viajamos eu, minha mulher, meu filho e minha sogra. Nosso filho era pequeno, ela ainda amamentava. Ela [a sogra] ficou no hotel com nosso filho na noite em que nós fomos à festa”, lembra.
Além dos detalhes de cenas de swing, de ménage à trois e sexo grupal vistas de perto, o livro mostra como todo esse universo é cheio de regras. O processo de seleção, por exemplo, é bem rigoroso e inclui uma análise da aparência física, intelectual, mental e social do interessado. Uma vez dentro, há mais regras, como só fazer o que for consentido; deixar claro os próprios limites e respeitar os dos outros; saber aceitar o não; ser sempre educado e cortês.
Para Nogueira houve ainda mais regras. Na condição de jornalista, ele não podia se identificar, fazer anotações ou em alguns locais sequer falar com as pessoas. Fotografias, claro, nem pensar. "Narro minhas observações, alguns detalhes se perdem porque tem a dificuldade de ter menos precisão. Na hora de escrever você não lembra se a parede era ocre ou bege. O livro me deu essa liberdade de texto mais livre, mas o essencial está ali", garante.
Apesar das restrições, ele conseguiu um bom material, conteúdo que o levou ao seu maior dilema: saber a hora de interromper a apuração. “Tem uma hora em que você precisa escrever. É difícil calcular quando é a hora de parar”, conta. Crédito:Marcos Finotti Livro começou a nascer indiretamente em 2009 durante uma matéria Da edição à reportagem Segundo o jornalista, o livro foi um exercício muito diferente do que estava acostumado, não só na VIP como na carreira, uma vez que sua trajetória é na área de edição. O profissional começou no extinto jornal Notícias Populares na década de 90 como editor de polícia, passou por Folha de S.Paulo , como redator, e na revista Superinteressante , onde por fim passou a fazer reportagens.
"O meu trabalho na Super foi fundamental para esse [livro]. Aprendi a estruturar o texto e a planejar as coisas. Fui me readaptando nessa área de reportagem que não era minha praia", diz.
Durante toda a apuração, Nogueira assumiu o papel de voyeur, pessoa que mesmo apenas observando é participante ativo numa orgia. O limite foi autoimposto “para o bem do trabalho jornalístico”. “Teria duas opções: cruzar essa linha e descrever o que eu fiz, ou mentir. Achei que essa exposição poderia me causar problemas de ordem pessoal ou profissional”, explica.
A relação do jornalista com essa sociedade parou na última página do livro e não há planos de fazer uma nova obra. “Não sou membro. Só faria [outro livro] se fosse um sucesso estrondoso, mas acho que não vai ser um blockbuster. Tem um desgaste emocional e eu não sei se estaria pronto”, conclui.
Levado por alguém que sabia sua identidade e que garantia seu acesso, o jornalista Marcos Nogueira teve acesso a este grupo secreto e conta o que viu no livro “Sociedade secreta do sexo”. “Tive medo de não me inserir no grupo e ser hostilizado. Achei que a apuração seria muito difícil. Mas me comprometi a garantir o anonimato dos personagens e eles se abriram”, lembra. “Uma coisa que entendi dessas fantasias é que as pessoas gostam de aparecer, mas sem dizer quem são”. Crédito:Divulgação Livro tem 224 páginas e parte das observações do jornalista Lançado em maio de 2014, pela Editora LeYa, a obra surgiu indiretamente no ano de 2009, quando Nogueira, então na revista masculina VIP , e Cláudia de Castro Lima, editora da publicação, estiveram na primeira festa da sociedade internacional de libertinos “Madame O” no Brasil, realizada em São Paulo. A reportagem teve boa repercussão, mas o assunto ficou adormecido por alguns anos. No fim de 2012, Nogueira soube que a editora buscava autores, lembrou da matéria e sugeriu a pauta. A empresa topou e ele retomou a apuração.
Um mundo à parte Sozinho ou ao lado da esposa, a também jornalista Mariana Weber, durante cerca de um ano Nogueira percorreu algumas cidades brasileiras e foi a outras festas exclusivas no México, na França e na Itália. Além das entrevistas e da pesquisa em livros, sites e artigos, ele visitou sete orgias, frequentou oito clubes de swing, e se hospedou em um resort para swingers. “Era [um hotel] para casais, eu era a única pessoa avulsa no meio. Situação meio constrangedora...”, recorda.
O fato de sua esposa ser jornalista ajudou muito no trabalho, pelo entendimento e respeito mútuo sobre a profissão. Na Itália, por exemplo, a apuração só foi possível graças à viagem feita em família. “Viajamos eu, minha mulher, meu filho e minha sogra. Nosso filho era pequeno, ela ainda amamentava. Ela [a sogra] ficou no hotel com nosso filho na noite em que nós fomos à festa”, lembra.
Além dos detalhes de cenas de swing, de ménage à trois e sexo grupal vistas de perto, o livro mostra como todo esse universo é cheio de regras. O processo de seleção, por exemplo, é bem rigoroso e inclui uma análise da aparência física, intelectual, mental e social do interessado. Uma vez dentro, há mais regras, como só fazer o que for consentido; deixar claro os próprios limites e respeitar os dos outros; saber aceitar o não; ser sempre educado e cortês.
Para Nogueira houve ainda mais regras. Na condição de jornalista, ele não podia se identificar, fazer anotações ou em alguns locais sequer falar com as pessoas. Fotografias, claro, nem pensar. "Narro minhas observações, alguns detalhes se perdem porque tem a dificuldade de ter menos precisão. Na hora de escrever você não lembra se a parede era ocre ou bege. O livro me deu essa liberdade de texto mais livre, mas o essencial está ali", garante.
Apesar das restrições, ele conseguiu um bom material, conteúdo que o levou ao seu maior dilema: saber a hora de interromper a apuração. “Tem uma hora em que você precisa escrever. É difícil calcular quando é a hora de parar”, conta. Crédito:Marcos Finotti Livro começou a nascer indiretamente em 2009 durante uma matéria Da edição à reportagem Segundo o jornalista, o livro foi um exercício muito diferente do que estava acostumado, não só na VIP como na carreira, uma vez que sua trajetória é na área de edição. O profissional começou no extinto jornal Notícias Populares na década de 90 como editor de polícia, passou por Folha de S.Paulo , como redator, e na revista Superinteressante , onde por fim passou a fazer reportagens.
"O meu trabalho na Super foi fundamental para esse [livro]. Aprendi a estruturar o texto e a planejar as coisas. Fui me readaptando nessa área de reportagem que não era minha praia", diz.
Durante toda a apuração, Nogueira assumiu o papel de voyeur, pessoa que mesmo apenas observando é participante ativo numa orgia. O limite foi autoimposto “para o bem do trabalho jornalístico”. “Teria duas opções: cruzar essa linha e descrever o que eu fiz, ou mentir. Achei que essa exposição poderia me causar problemas de ordem pessoal ou profissional”, explica.
A relação do jornalista com essa sociedade parou na última página do livro e não há planos de fazer uma nova obra. “Não sou membro. Só faria [outro livro] se fosse um sucesso estrondoso, mas acho que não vai ser um blockbuster. Tem um desgaste emocional e eu não sei se estaria pronto”, conclui.

