Jornalista britânico polemiza e propõe retirada de jogos de elite do Rio 2016
Simon Jenkins faz proposta na qual apresenta alternativas austeras para a realização das Olimpíadas que serão realizadas no Rio em 2016.
Atualizado em 24/04/2014 às 18:04, por
Redação Portal IMPRENSA.
O jornalista inglês Simon Jenkins publicou no The Guardian uma proposta com alternativas austeras para as Olimpíadas que serão realizadas no Rio de Janeiro em 2016. Faltando dois anos para o evento, a cidade ainda tem obras não iniciadas e apresenta atrasos. Para o profissional de imprensa, é necessário excluir os jogos de elite para que não vire apenas festival de megaestruturas.
De acordo com o GloboEsporte.com, o britânico visitou a sede da próxima Olimpíada e diante de um eventual desespero dos organizadores em decorrência do ritmo das construções previstas em sua candidatura, ele questionou a real obrigatoriedade do levantamento de grandes arenas, que poderiam correr o risco de virar elefantes brancos. O repórter propôs o abandono de algumas modalidades, como as que serão disputadas em Deodoro, que abrange os esportes considerados de elite e futebol.
“Eles poderiam abandonar Deodoro, programada para eventos como rugby, canoagem slalom e moutain bike. Poderiam cancelar esportes de elite do COI, como tênis, vela, golfe e hipismo, assim como um absurdo segundo torneio de futebol apenas dois anos depois da Copa do Mundo. Poderiam talhar arenas e estádios na capacidade que eles podem oferecer atualmente e contar aos oficiais dourados do COI, patrocinadores e VIPs que não haverá apartamentos luxuosos, limusines e pistas exclusivas, apenas camping na praia de Copacabana”, escreveu Jenkins em sua coluna no jornal.
A medida seria semelhante ao que Londres, na Inglaterra, fez em 1948, durante os jogos realizados nos duros anos do pós-Segunda Guerra Mundial. Com críticas aos luxos e extravagâncias dos membros do Comitê Olímpico Internacional, ele ressalta que a entidade exige especificações meticulosas de cada local de competição, com mais esportes a cada edição, todos disputando seu espaço na televisão.
“Acredito que o Rio ainda tem tempo de mostrar a coragem que faltou em Londres, em 2005. Londres alardeou que faria os "Jogos do Povo", um divertido festival urbano de baixo custo. Mas capitulou diante da grandiosidade do COI, construindo um novo estádio em vez de usar o de Wembley, e aumentou os custos de 4 para 13 bilhões de libras”, afirmou. Fazendo referência os protestos de rua, o jornalista diz que sente a impressão de que há a associação do desempenho da seleção brasileira na Copa do Mundo aos Jogos: se a seleção ganhar a Copa, talvez o povo tolere as Olimpíadas. Caso contrário, os "Jogos estarão mortos".
O profissional ainda recordou a frase do prefeito Eduardo Paes para justificar seu posicionamento: "Nunca na sua vida faça uma Copa do Mundo e uma Olimpíada ao mesmo tempo. Eu não vou bancar o masoquista".
No entanto, ele acredita ser possível gerar impacto semelhante aos que foram produzidos em Barcelona 1992 e Londres 2012, que deixaram uma "sensação boa" na população. Para isso, de acordo com o inglês, seria necessário algumas medalhas conquistadas por atletas brasileiros, cerimônias de abertura e encerramento extravagantes e uma boa relação com a torcida.
Jenkins destaca que o legado das Olimpíadas no Rio pode ser decepcionante. Ao passo que elogia o processo de revitalização do Porto Maravilha, critica a poluição contínua na Bahia de Guanabara. Após citar o abandono virtual do programa de habitação Morar Carioca, fala do moderado sucesso das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP), mas ressalta a ausência de políticas de infraestrutura nas favelas.
“O Rio poderia convidar o mundo para os estádios e arenas construídas no Pan de 2007. A cidade do carnaval poderia oferecer um carnaval de esporte, provando que cidades pobres organizam megaeventos tão bem quanto as ricas. Em vez de ser abusado por atrasos e incompetência, esta magnífica cidade poderia exibir sua coragem e ousadia”, conclui.
De acordo com o GloboEsporte.com, o britânico visitou a sede da próxima Olimpíada e diante de um eventual desespero dos organizadores em decorrência do ritmo das construções previstas em sua candidatura, ele questionou a real obrigatoriedade do levantamento de grandes arenas, que poderiam correr o risco de virar elefantes brancos. O repórter propôs o abandono de algumas modalidades, como as que serão disputadas em Deodoro, que abrange os esportes considerados de elite e futebol.
“Eles poderiam abandonar Deodoro, programada para eventos como rugby, canoagem slalom e moutain bike. Poderiam cancelar esportes de elite do COI, como tênis, vela, golfe e hipismo, assim como um absurdo segundo torneio de futebol apenas dois anos depois da Copa do Mundo. Poderiam talhar arenas e estádios na capacidade que eles podem oferecer atualmente e contar aos oficiais dourados do COI, patrocinadores e VIPs que não haverá apartamentos luxuosos, limusines e pistas exclusivas, apenas camping na praia de Copacabana”, escreveu Jenkins em sua coluna no jornal.
A medida seria semelhante ao que Londres, na Inglaterra, fez em 1948, durante os jogos realizados nos duros anos do pós-Segunda Guerra Mundial. Com críticas aos luxos e extravagâncias dos membros do Comitê Olímpico Internacional, ele ressalta que a entidade exige especificações meticulosas de cada local de competição, com mais esportes a cada edição, todos disputando seu espaço na televisão.
“Acredito que o Rio ainda tem tempo de mostrar a coragem que faltou em Londres, em 2005. Londres alardeou que faria os "Jogos do Povo", um divertido festival urbano de baixo custo. Mas capitulou diante da grandiosidade do COI, construindo um novo estádio em vez de usar o de Wembley, e aumentou os custos de 4 para 13 bilhões de libras”, afirmou. Fazendo referência os protestos de rua, o jornalista diz que sente a impressão de que há a associação do desempenho da seleção brasileira na Copa do Mundo aos Jogos: se a seleção ganhar a Copa, talvez o povo tolere as Olimpíadas. Caso contrário, os "Jogos estarão mortos".
O profissional ainda recordou a frase do prefeito Eduardo Paes para justificar seu posicionamento: "Nunca na sua vida faça uma Copa do Mundo e uma Olimpíada ao mesmo tempo. Eu não vou bancar o masoquista".
No entanto, ele acredita ser possível gerar impacto semelhante aos que foram produzidos em Barcelona 1992 e Londres 2012, que deixaram uma "sensação boa" na população. Para isso, de acordo com o inglês, seria necessário algumas medalhas conquistadas por atletas brasileiros, cerimônias de abertura e encerramento extravagantes e uma boa relação com a torcida.
Jenkins destaca que o legado das Olimpíadas no Rio pode ser decepcionante. Ao passo que elogia o processo de revitalização do Porto Maravilha, critica a poluição contínua na Bahia de Guanabara. Após citar o abandono virtual do programa de habitação Morar Carioca, fala do moderado sucesso das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP), mas ressalta a ausência de políticas de infraestrutura nas favelas.
“O Rio poderia convidar o mundo para os estádios e arenas construídas no Pan de 2007. A cidade do carnaval poderia oferecer um carnaval de esporte, provando que cidades pobres organizam megaeventos tão bem quanto as ricas. Em vez de ser abusado por atrasos e incompetência, esta magnífica cidade poderia exibir sua coragem e ousadia”, conclui.





