Jornalista boliviano morre depois de ser agredido em ataque à rádio governamental

Jornalista boliviano morre depois de ser agredido em ataque à rádio governamental

Atualizado em 09/04/2008 às 10:04, por Redação Portal IMPRENSA.

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) declarou na última terça-feira (8) que as autoridades bolivianas devem investigar a fundo e levar à justiça as pessoas responsáveis pela morte de Carlos Quispe Quispe, um jornalista que trabalhava para uma rádio governamental em Pucarani. Ele morreu em 29 de março, depois de ter recebido uma violenta surra de manifestantes que pediam a expulsão do prefeito local.

Na tarde de 27 de março, pelo menos 150 manifestantes se reuniram em frente ao edifício do governo de Pucarani, uma pequena cidade a 50 quilômetros de La Paz, e instaram o prefeito Alejandro Mamani a renunciar, acusado de corrupção.

Os manifestantes irromperam no edifício municipal e arrombaram a porta da Rádio Municipal. Testemunhas disseram à estação de rádio Onda Local que os manifestantes destruíram o equipamento da rádio e identificaram Quispe como "a voz que fala na rádio".

Manifestantes com chicotes e varas metálicas golpearam o jornalista na cabeça e no peito, de acordo com fontes do CPJ. Quispe era estudante de comunicação social da Universidade Mayor de San Andrés, em La Paz, e havia trabalhado como estagiário durante três meses na Rádio Municipal.

Segundo a agência de notícias EFE, ele foi levado a uma clínica de Pucarani e, depois, a um hospital de La Paz, e morreu em 29 de março em decorrência de complicações não especificadas, .

"Estamos indignados por este assassinato brutal e instamos as autoridades a conduzirem uma investigação exaustiva para levar à justiça todos os responsáveis", declarou o Diretor Executivo do CPJ, Joel Simon. "O fato de uma multidão ter realizado o ataque não deve isentar de responsabilidade os indivíduos envolvidos".

A Rádio Municipal, a única estação de rádio de Pucarani, transmitia informação governamental e notícias locais, segundo jornalistas bolivianos. Quispe apresentava um informe noticioso ao meio- dia, disse ao CPJ o Diretor Executivo da Associação Nacional de Imprensa, Juan Javier Zevallos.

Ele também apresentava um programa noturno de música, no qual freqüentemente entrevistava Mamani, que falava de projetos governamentais e respondia perguntas dos ouvintes.

Wilson Arteaga, um jornalista da Onda Local que viajou a Pucarani para investigar o incidente, contou ao CPJ que as instalações da Rádio Municipal haviam sido destruídas. A estação de rádio está fora do ar desde então. A polícia local não possui um telefone, e o CPJ não pode contatá-la.

Com informações do Comitê de Proteção aos Jornalistas

Leia mais