Jornalismo no interior é terra sem lei?
Jornalismo no interior é terra sem lei?
Atualizado em 23/02/2005 às 12:02, por
Pedro Venceslau e editor executivo da Revista Imprensa.
Por Diz uma velha máxima do interior paulista que o jornalismo dos rincões é movido a release e rango. Noves fora os líderes regionais, como o Valeparaíbano, de São José dos Campos, Correio Popular, de Campinas, Gazeta de Piracicaba, de Piracicaba, os periódicos das pequenas cidades paulistas geralmente sobrevivem de patrocínios públicos locais em forma de editais, raramente possuem uma redação devidamente diplomada e mantém uma relação quase umbilical com o poder.
A falta de uma fiscalização regular e eficaz do ministério do trabalho nas redações do interior favorece o total desrespeito de muitos editores e donos de jornais com as leis trabalhistas, pisos salariais e tantas outras prerrogativas e conquistas históricas da categoria.
Em alguns casos, o poder e a mídia chegam a andar literalmente de mãos dadas. Em Taubaté, interior de São Paulo, onde um repórter chega a trabalhar 12 horas ganhando R$ 500,00 por exemplo, o chefe de gabinete da prefeitura, Fernando Gilgi Torres, acumula o cargo de jornalista responsável por três jornais locais. Mais grave que a postura de acumular cargos é o fato da prefeitura publicar anúncios do executivo nestes jornais. Para esclarecer melhor o que é certo, errado e duvidoso na relação entre poder e mídia, Portal IMPRENSA entrevistou o presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, Sergio Murillo:
Portal IMPRENSA - Um jornalista pode exercer, ao mesmo tempo, o cargo de chefe de gabinete de uma prefeitura e de jornalista responsável de um jornal da cidade que recebe verba publictária do executivo local?
Sergio - Isso é uma imoralidade. Trata-se de uma postura anti-ética, que abre as portas para o favorecimento e o benefício próprio. Temos que enfrentar esse tipo de abuso, que acontece, sobretudo, em jornais do interior, onde a fiscalização é menor.
Se já existisse o Conselho Federal de Jornalismo, esse caso iria para o Conselho de Ética e o jornalista poderia perder o diploma. Acontece que no interior do Brasil existe uma certa condecendência com esse tipo de abuso, que deve ser denunciado. De ponto de vista político deve-se fazer barulho.
A falta de uma fiscalização regular e eficaz do ministério do trabalho nas redações do interior favorece o total desrespeito de muitos editores e donos de jornais com as leis trabalhistas, pisos salariais e tantas outras prerrogativas e conquistas históricas da categoria.
Em alguns casos, o poder e a mídia chegam a andar literalmente de mãos dadas. Em Taubaté, interior de São Paulo, onde um repórter chega a trabalhar 12 horas ganhando R$ 500,00 por exemplo, o chefe de gabinete da prefeitura, Fernando Gilgi Torres, acumula o cargo de jornalista responsável por três jornais locais. Mais grave que a postura de acumular cargos é o fato da prefeitura publicar anúncios do executivo nestes jornais. Para esclarecer melhor o que é certo, errado e duvidoso na relação entre poder e mídia, Portal IMPRENSA entrevistou o presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, Sergio Murillo:
Portal IMPRENSA - Um jornalista pode exercer, ao mesmo tempo, o cargo de chefe de gabinete de uma prefeitura e de jornalista responsável de um jornal da cidade que recebe verba publictária do executivo local?
Sergio - Isso é uma imoralidade. Trata-se de uma postura anti-ética, que abre as portas para o favorecimento e o benefício próprio. Temos que enfrentar esse tipo de abuso, que acontece, sobretudo, em jornais do interior, onde a fiscalização é menor.
Se já existisse o Conselho Federal de Jornalismo, esse caso iria para o Conselho de Ética e o jornalista poderia perder o diploma. Acontece que no interior do Brasil existe uma certa condecendência com esse tipo de abuso, que deve ser denunciado. De ponto de vista político deve-se fazer barulho.






