Jornalismo é opção de vida / Por Yara Verônica Ferreira - USJT (SP)

Jornalismo é opção de vida / Por Yara Verônica Ferreira - USJT (SP)

Atualizado em 26/09/2005 às 11:09, por Por: Yara Verônica Ferreira e  estudante de jornalismo da Universidade São Judas Tadeus.

Os 17 estudantes de jornalismo que participaram do segundo módulo do Projeto Repórter do Futuro, cujo tema de 2005 era "Descobrir São Paulo, Descobrir-se Repórter", receberam de volta nesse sábado, 24 de setembro, o cheque de R$ 600, denominado como refém pelos participantes e também os certificados de participação no módulo.

A Oboré - Projetos Especiais em Comunicação e Artes criou o projeto em 1994. "Eu me dei conta que uma parte dos estudantes de jornalismo não conhece a cidade, não lê jornal e nunca publicou", diz o diretor e idealizador do projeto, Sérgio Gomes. Esse foi o mote da criação, colaborar com a formação de estudantes de jornalismo que realmente querem exercer a profissão.

Nos primeiros módulos alguns alunos faltavam porque iam viajar ou davam outras desculpas, então, a equipe organizadora, liderada por Gomes, propôs o sistema de reembolsa. Em todos os módulos, na primeira reunião, é proposto aos estudantes participarem de todas as palestras e produzirem um texto sobre os temas abordados. Se qualquer uma das tarefas deixar de ser cumprida, a Oboré não devolve o cheque, portanto, para os alunos que participam efetivamente do curso, é de graça.

Nesse ano a Oboré trabalhou em parceria com a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), com apoio do Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo, Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, Cursinho Inteligente e Associação Viva o Centro. Iniciado em 20 de agosto, os estudantes tiveram a oportunidade de conversar alguns repórteres brasileiros: José Roberto de Alencar, coordenador do módulo; Roberto Gazzi, editor executivo de O Estado de São Paulo; Evandro Spinelli, colunista de A Cidade (Ribeirão Preto/SP); Fabio Altman, editor da revista Istoé Dinheiro; Frederico Vasconcelos, repórter especial da Folha de S. Paulo; Elvira Lobato, repórter especial da Folha de S. Paulo e para encerrar, Sérgio Pinto de Almeida, colaborador da revista Caros Amigos e professor do Departamento de Jornalismo da PUC de São Paulo, apresentador do programa Jornal dos Trabalhadores, na Rádio 9 de Julho.

Almeida ressaltou a humanização como fator essencial às reportagens, porque jornalismo "é olho da sociedade". Ao fazer um texto o profissional deve deter informações essenciais para uma boa composição na forma e no conteúdo. Ética foi um dos tópicos preferidos e ele aproveitou para declarar a sua aversão a atitudes como a de César Tralli em participar, da forma como o fez, da prisão de Flávio Maluf, filho do ex-prefeito Paulo Maluf.

A crítica é mais contumaz quando observa que as redações andam dispensando os profissionais mais velhos, que vivenciaram situações tão difíceis quanto às da época da ditadura militar. A convivência com jornalistas mais experientes poderia propiciar aos jovens focas uma aula que não dão nos cursos universitários. Inexperientes, jovens não compreendem o contexto do país, não tomam os cuidados fundamentais na apuração das informações e acabam fabricando notícias pobres em conteúdo. E para completar, "o bom contador de história sumiu", diz Almeida.

Mais que técnica, jornalismo é ética, princípio, preparação e suor. E, no momento da construção do texto há tantas coisas a pensar, que o jornalista se vê freqüentemente entre dilemas: escrevo, não escrevo, como escrevo? Fatos relatados podem interferir na vida das pessoas, é fundamental ter respeito a princípios éticos e morais, porque se não observar o mundo dessa forma, o vale tudo pelo furo, vira vale tudo mesmo, sem respeito.

Não precisa citar que Almeida, como todo jornalista diz a mesma coisa: ler é fundamental. Mas não adianta ler jornalistas estrangeiros como Gay Talese ou Joseph Mitchel, todos devem ler também escritores brasileiros que contam histórias da terra, como Graciliano Ramos ou Carlos Drummond de Andrade, afinal, para se escrever sobre um lugar, tem que estar impregnado por ele.

"Jornalismo cheirado, fumado, injetado na veia, é um barato", assim Almeida classifica o que é sentir o jornalismo a pulsar na veia.