Os seguidores do jornalismo ambiental não têm dúvidas: lutam por um mundo melhor. Por meio da profissão, denunciam irregularidades de obras, apontam erros de planejamento e apresentam medidas que podem melhorar nossa vida. Com relevância na sociedade, o segmento se organiza para se consolidar e fazer com que a sustentabilidade se torne parte do cotidiano do cidadão. Embora esteja em um processo de mudanças, a área se apresenta como alternativa e pode render bons resultados a quem se dedicar a ela.
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Jornalismo ambiental pode ser caminho para os profissionais de mídia Com publicações que falam sobre o tema e explicam como o meio ambiente deve ser pautado pelo jornalismo, o docente Wilson Bueno acredita que o segmento tem como característica predominante “o fato de abordar uma temática multi e interdisciplinar, com a contribuição e o olhar de diversas áreas, como a biologia, a sociologia, a antropologia, a saúde, a política, a economia etc”. Neste caso, é importante possuir uma visão completa sobre tais assuntos, pois podemos precisar deles na elaboração de uma reportagem.
Sem uma bagagem cultural, a cobertura tende a ficar comprometida. Por isso, é importante se atentar a uma série de fatores, que estão ligados e que são frequentemente tratados pela área. O professor lista alguns tópicos incidentes, como a gestão ambiental e, em particular, a preservação e a qualidade de vida. Neles, estão presentes políticas públicas voltadas para o meio ambiente, os lobbies empresariais, a conscientização dos cidadãos e, inclusive, o impacto de agentes externos, como as mudanças climáticas, decorrentes ou não das ações humanas.
“O jornalismo ambiental, portanto, deve pautar-se pelo caráter investigativo, tentando entender as causas e as consequências de ações ou processos que provocam impacto no meio ambiente”, diz Bueno. Para ele, o segmento não deve se caracterizar pelo ‘denuncismo gratuito’, mas tem que “incorporar uma visão crítica com respeito à omissão de autoridades em relação a danos ambientais provocados por empresas e por grupos que lucram a partir da degradação do meio ambiente”.
Juntos e organizados
Para ajudar os novos jornalistas que buscam trabalhar na área, um grupo de profissionais de imprensa criou uma associação própria e promove o intercâmbio de ideias. A Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental (RBJA) completou 15 anos em 2013 e, atualmente, já agrega cerca de 700 filiados. Por meio da internet e de encontros nacionais, ela disponibiliza um banco de fontes e materiais de referência para pesquisa.
À IMPRENSA, Beth Fernandes, uma das integrantes do grupo, conta que todos os membros atuam para auxiliar o próximo e também participam de discussão sobre os rumos da profissão e, às vezes, são demandados por estudantes em época de monografias e dissertações, ocasião em que, geralmente, a rede é mais requisitada.
“Trocamos pautas, fontes e material de pesquisa. Procuramos, também, fazer ver que o jornalismo ambiental não é um segmento isolado, mas deveria permear todas as editorias”, afirma a jornalista.
Pressão do mercado
O jornalista Julio Lamas, colunista do Planeta Sustentável, entende que passamos por um problema comum na área: o tempo. A necessidade de entregar matérias em um curto prazo pode fazer com que a qualidade não seja a esperada. “Não dá para fazer reportagens grandes, com bons insights, incisivas e que atraiam o leitor, sem tempo”, diz.
“A pressão do mercado para que você faça tudo no prazo já atrapalha. Eu tive sorte de trabalhar com algumas pessoas que simplesmente me deram maior liberdade” completa. No entanto, ele avalia que as oportunidades de trabalho como jornalista ambiental ganharam mais importância após questões discutidas a nível mundial como o aquecimento global e seus derivados e vê nos últimos dez anos uma consolidação na área.
A visão é compartilhada por Beth Fernandes, mas de outra maneira. Segundo a jornalista, “não é segredo que as editoriais de meio ambiente foram praticamente extintas nos jornais; restam apenas alguns programas de TV e rádio. Há os veículos segmentados, que lutam com ‘unhas e dentes’ para sobreviver”. Em contrapartida, aparecem novas alternativas para a rentabilidade do segmento e dos que trabalham para ele. Surgiram as novas mídias, os blogs e até o crowfounding, que tem crescimento timidamente no país.
Há também, um outro mercado, caracterizado pelas consultorias e empresas que precisam, cada vez mais, mostrar que são sustentáveis e que não agridem o ambiente onde se inserem. “De qualquer forma, o mercado não tem mais lugar, na minha opinião, para quem não tem uma visão ampla, capaz de enxergar a realidade como um todo e, portanto, capaz de trabalhar em qualquer editoria com competência”, diz.
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* Com supervisão de Vanessa Gonçalves



