Jogo rápido: Felipe Machado, o multimídia em pessoa

Jogo rápido: Felipe Machado, o multimídia em pessoa

Atualizado em 10/12/2007 às 18:12, por Marlon Maciel.

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O jornalista Felipe Machado não é apenas editor de Multimídia do Estadão e do site Limão, mas a própria encarnação da multimídia. Além de jornalista, é escritor de mão cheia (escreveu dois romances) e guitarrista da banda Viper, uma das mais importantes da cena musical dos anos 90, que voltou à ativa e acaba de lançar um CD só com músicas inéditas. Machado ainda mantém um blog no portal do Estadão e a coluna "Palavra de Homem", aos domingos, no Jornal da Tarde . Paulista de 37 anos, Felipe Machado era editor do caderno "Variedades", do JT , quando recebeu a missão de editar o site Limão, o mais completo portal colaborativo do Brasil. "Aqui quem cria é o internauta", explica o jornalista. Nesta entrevista à IMPRENSA, Machado fala de jornalismo, internet e das suas últimas investidas na música e na literatura.

IMPRENSA - Como funciona o Limão?
Felipe Machado -
Por ter caráter participativo, quem cria é o internauta. Em um evento, por exemplo, damos o microfone para que as pessoas saiam perguntando o que os outros estão achando. Além disso, promovemos debates, escolhemos os melhores vídeos que as pessoas mandam. É bastante diferente do jornal. Não temos o fechamento diário, mas temos fechamento o dia inteiro. Tem internet, é claro, mas é mais TV. O Limão ainda é bem jovem, um limãozinho que está crescendo. Brasileiro adora participar, dar opinião em tudo. Todo brasileiro, de certa forma, pode ser repórter da TV Limão.

Acredita que o Brasil está maduro para um jornalismo colaborativo de qualidade?
Acho que sim. A internet brasileira não deve nada para ninguém.

Por que Limão?
Talvez pelo bairro do Limão (onde fica o Estadão ). Se pode ter Apple, pode ter Limão (risos).

Como evitar que o espaço seja usado de forma errada? Como depuram o que será publicado?
Tem mediação de jornalistas e ferramentas tecnológicas. Se não houver alguém tomando conta vira um portal da mãe Joana. E o Limão não é o site da mãe Joana. As pessoas se identificam para entrar. Quem tem algo importante a dizer não precisa de identidade falsa. Há uma estratégia para que a participação seja responsável.

Você acaba de lançar seu segundo livro, "Martelo dos Deuses"...
Costumo brincar que é um killer filosófico. Um romance policial que discute justiça e vingança. É a história de uma criança que cresce vendo o pai bater na mãe. O pai morre e ele descobre que a vida ficou melhor. Então, na lógica que ele cria, o mundo fica melhor quando as pessoas más morrem. Aí ele começa a transformar o mundo em um lugar melhor. Não tem nada acadêmico, é uma ficção.

Antes de ser jornalista, você rodava o mundo como guitarrista do Viper, que acaba de lançar um disco novo. Pretende voltar a fazer turnês, shows e conciliar a vida de roqueiro com a redação?
Estamos lançando o "All My Life", só de inéditas, depois de dez anos. Mas hoje não tenho como fazer turnês como antes, passar dois meses na estrada. Isso realmente não dá. Mas a gente vai voltar a fazer shows. Se eu não puder, a gente descobre um plano B.

Para fechar, largaria o jornalismo pelo rock'n'roll?
Hoje não dá. As palavras, agora, são mais importantes do que a guitarra.