Integrantes do movimento negro criticam campanha #somostodosmacacos
Para eles, iniciativa reproduz racismo.
Atualizado em 30/04/2014 às 15:04, por
Redação Portal IMPRENSA.
Crédito:Agência Brasil Ministra Luiza Bairros disse que campanha é leviana
A ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Luiza Bairros, disse à Agência Brasil que a campanha é leviana e busca transformar a imagem do macaco em algo positivo, quando tem uma conotação essencialmente negativa para negros.
“O que existe é uma tendência de considerar o racismo como um fenômeno superficial na sociedade brasileira, ou em qualquer outro lugar do mundo: algo que se manifesta como um dado isolado, como uma expressão de indivíduos que praticam atos racistas”, ponderou.
O professor de história e integrante da UNEafro Brasil, Douglas Belchior, avaliou que a conduta do jogador Daniel Alves, que comeu uma banana jogada contra ele, em partida realizada no último domingo (27/4), foi “interessante, provocativa”, mas critica a campanha deflagrada em seguida. Para ele, a associação de negros a macacos é um modo de reprodução do racismo.
Crédito:Reprodução Campanha encabeçada por Neymar foi criada pela agência Loducca
Já a jornalista Aline Pedrosa defende a campanha. “Mesmo sendo branca, me reconheço com traços dos meus ancestrais, que são negros. Não nego minhas origens, muito pelo contrário, as estudo e as exalto. Para mim, a mobilização significa união – todos somos um – e, acima de tudo, desprezo a uma atitude vergonhosa como essa, e que, sabemos, não rola só fora do Brasil, muito pelo contrário”.
O cineasta Joel Zito de Oliveira, que dirigiu o filme "A Negação do Brasil", que trata da representação dos negros na mídia, avalia a iniciativa como um “equívoco” por esconder a negritude e não ser capaz de enfrentar o racismo.
Ele avalia que a proporção obtida pela iniciativa também está relacionada ao conteúdo dela. “Tudo que é feito, e que de fato não incomoda e não muda a questão racial no Brasil, tende a ter aceitação mais fácil”, ressaltou. “Branco comendo uma banana ou colocando sobre a cabeça pode virar Carmen Miranda, carnaval. Com o negro é outra coisa. Mas a postura da sociedade brasileira sempre foi no sentido de evitar o confronto”, completou.





