"IMPRENSA na TV" inicia série de entrevistas sobre o papel da mídia na disseminação do ECA

"IMPRENSA na TV" inicia série de entrevistas sobre o papel da mídia na disseminação do ECA

Atualizado em 18/08/2008 às 17:08, por Adriana Douglas / Redação Portal IMPRENSA.

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Nesta segunda-feira (18), o programa "IMPRENSA na TV" deu início a uma série de entrevistas, que visa celebrar os 18 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), sob o enfoque da mídia. A idéia é saber, sob a ótica de especialistas no tema, como a imprensa vem tratando os temas relacionados à violência contra crianças e adolescentes, além de diversos enfoques ligados aos Direitos Humanos.

No primeiro da série de quatro programas, a atração - exibida todas as segundas-feiras, das 15h às 16h, pela - recebeu a advogada Letícia Massula, consultora da organização Partners of the America , que desenvolve, desde 1994, ações referenciais de enfrentamento à violência contra a criança e o adolescente.

O fato de alguns veículos de mídia usarem de sensacionalismo para noticiar casos de agressão a crianças e adolescentes foi criticado por Letícia. "A população precisa, por si própria, refletir diante de uma situação real, sem interferência de uma cobertura sensacionalista", disse.

A consultora também observou o hábito de serem usados termos sobre o assunto de forma errada ou pouco explicativa, o que pode causar más interpretações ou pouco aprofundamento. Para ela, a exemplo da agência da ONU, seria interessante que fossem explicados nos textos os significados dos termos utilizados. "Cada vez mais, defendo a necessidade de se existir dentro dos veículos de comunicação o profissional especializado na cobertura de determinados temas. Assim, cai o risco de que sejam publicadas notícias superficiais ou termos equivocados", afirmou. "Às vezes, os textos são tão editados que uma palavra fundamental cortada, faz com que ele perca todo o sentido", completou a advogada.

Diante disso, Letícia ressalta a importância de uma postura responsável da imprensa quando noticiar crimes que envolvem crianças e suas famílias. "Todo cuidado é pouco quando se lida com suspeitos em um caso, já que as matérias podem interferir na vida dos envolvidos", disse. "A mídia espelha a nossa cultura, que é ultra preconceituosa, já que as pessoas que estão nas redações também fazem parte da sociedade".

Se o problema está no tratamento das informações pela imprensa, a (Agência de Notícias dos Direitos da Infância) procura ajudar jornalistas e comunicadores a passarem informações de maneira mais correta e explicativa, no que diz respeito aos temas relacionados à violência contra crianças e adolescentes. "Têm jornalistas que chegam até nós para entrevistas e sequer sabem o be-a-bá do tema. É bem complicado. Hoje em dia, qualquer pesquisa no Google dá ao menos uma base para que não se chegue à uma fonte sem nenhum direcionamento", diz Letícia.

Violação de direitos

O exagero e a incitação à violência realizada por alguns jornalistas durante o caso Isabella foram lembrados por Letícia. "Cheguei a ver na TV um apresentador que dava o endereço da casa do avô da menina, incentivando a polícia a estar presente no local, porque eles poderiam ser agredidos". Segundo ela, a liberdade de expressão deve ser prioritária, mas com ética. "É preciso ter liberdade de imprensa, de expressão, mas guiado por um código de ética mínimo"

Letícia lembra que não importa quem seja, se a melhor das pessoas ou a pior das criaturas, todos devem lutar pelos seus direitos, já que qualquer direito humano que for violado, não importa de quem for, está sendo violando o direito da humanidade como uma só. Mas é preciso cuidar da questão como um todo, já que os direitos são indivisíveis; senão pode-se criar categorias de seres humanos.".

A série especial sobre os 18 anos do ECA continua. O programa "IMPRENSA na TV" é apresentado pela jornalista Thaís Naldoni, editora-executiva do Portal IMPRENSA, e vai ao ar, pela AllTV, todas as segundas-feiras, das 15h às 16h.

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