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Imprensa imigrante é responsável por 40 títulos e 500 mil exemplares mensais em SP

Publicações ganharam força na década de 70 após o intenso movimento migratório no país.

A imprensa imigrante está longe de ser uma curiosidade datada. Apesar do movimento imigratório para o Brasil ter ganhado impulso na década de 70, atualmente, uma série de publicações ainda se dedicam a peneirar os principais assuntos e reportar com maior profundidade temas internacionais.
Crédito:Divulgação Emissora foca em pautas sobre a imigração
Segundo o jornalista e historiador Marcelo Cintra, são aproximadamente 40 publicações voltadas para o público estrangeiro só na capital paulista, atingindo 500 mil exemplares por mês. Atualmente, ressalta, é muito grande o número de sites destinados às comunidades estrangeiras. "Esses veículos cobrem os mais diferentes assuntos, como política, economia, vida comunitária, turismo, dupla cidadania e prestação de serviços", explica.
De acordo com Cintra, algumas das publicações criadas no fim do século 19 e início do 20 ainda são veiculadas em São Paulo. Entre os italianos, destacam-se o Fanfulla , de 1893; o Deutsche Zeitung , alemão de 1897; e o São Paulo Shimbun , de 1946.
"Até o século XX, os jornais exerciam uma função socializadora na recepção daqueles que chegavam e traziam notícias do país de origem, sendo importantes veículos de divulgação de ideias políticas. Hoje, são veiculadas notícias da vida social da comunidade, questões políticas e econômicas dos locais de origem, preservação dos costumes e da cultura da comunidade, além de prestação de serviços", pontua.
O outro lado da imigração
Há cinco anos o jornalista chileno Miguel Ahumada leva informação voltada exclusivamente à temática migratória à Webradio Migrantes, que trabalha em parceria com o Scalabrini International Migration Network (SIMN), localizada na paróquia Nossa Senhora da Paz, em São Paulo (SP).
Ahumada integra a equipe do Serviço da Pastoral do Imigrante, da CNBB, e auxilia na missão desde que chegou ao Brasil, em 1980. Segundo ele, o objetivo é levar ao público um noticiário diferente.
“Normalmente, a grande imprensa aborda todas as notícias migratórias como criminalísticas e mostramos o outro lado dessa questão porque nós, imigrantes, somos portadores de uma grande diversidade cultural”, explica.
A Webradio Migrantes iniciou suas atividades em agosto de 2009, primeiramente, para os brasileiros que vivem no exterior, mas conquistou simpatizantes no país e deu origem à versão em espanhol em julho de 2013.
O radialista também apresenta um programa da Missão Paz na Rádio 9 de Julho (Am 1600 Khz) aos domingos, às 18h30, ao lado de Patricia Rivarola, e trabalha para um jornal da cidade de São Roque (SP).
O jornalista conta que como o veículo está na rede scalabriniana mundial, existente em 32 países, ele tem de canalizar as informações mais relevantes que recebe de agências de notícias que enviam os comunicados.
“Tento passar a notícia de forma diferenciada. Como tudo tem de ser em espanhol, convido pessoas que saibam o idioma para conversar conosco, mas sempre passam pessoas de cada canto do mundo”, pondera.
A Webradio Migrantes em espanhol pode ser acompanhada através do site , tanto em áudio quanto em conteúdo disponibilizado em sua no Facebook .
Gringoes: Um guia para estrangeiros
O economista irlandês Kieran Gartlan é considerado o maior "guia" para os estrangeiros que chegam à metrópole. Ele criou o site , uma comunidade virtual em que pessoas de todo o mundo tiram dúvidas e trocam experiências sobre a vida por aqui.
”Pensei que poderia ter alguma revista para facilitar a comunicação, mas não era muito viável. Quando começou a crescer a internet, imaginei que criar um site não seria tão difícil, nem caro. Então, em 1999, comecei a trabalhar com essa ideia e o lancei em 2000", explica.
Crédito:Reprodução Site funciona como um guia para os estrangeiros
Segundo ele, no início do projeto havia uma média de 100 a 150 pessoas por mês para procurar informações. São mais de 20 mil usuários cadastrados no mailing e a página no Facebook conta com mais de 6 mil integrantes. De acordo com Kieran, a média de crescimento da procura é de 500 pessoas por mês.
A intenção é poder contribuir ao máximo com informações úteis como indicar moradias, abrir uma conta no banco, procurar emprego e escola para as crianças. "Tem muitos sites no Brasil para turistas, mas não para quem vai morar aqui. Também colocamos matérias. Então, mantemos o portal como um fórum para que as pessoas se ajudem", relata.
A contribuição pode ser realizada por qualquer pessoa que tenha experiência no assunto e queira participar. A maior divulgação de material e propagação de conteúdo é feita por blogueiros, segundo Kieran.
Histórias por influência dos Gringoes são as maiores coleções na vida de Gartlan. Ele pontua que uma das que mais marcaram foi a de um americano e uma brasileira que se conheceram pelo site e se casaram após seis meses dele ter chegado ao Brasil. "Foi algo que deu certo através do site. Recebo muitas mensagens de agradecimento e isso é muito gratificante", ressalta.
68 anos de Japão em SP
A comunidade japonesa também possui ampla atividade jornalística na capital paulista. O jornal São Paulo Shimbun , um dos mais antigos, já tem 68 anos e conta com uma tiragem de 30 mil exemplares.
Segundo Katia Sattomura, responsável pela edição brasileira, 20 pessoas integram a redação do São Paulo Shimbun , que é veiculado diariamente. A publicação tem oito páginas, sendo sete escritas em japonês.
Katia conta que um dos momentos mais impactantes para o jornal foi em 2011, quando ocorreu o tsunami. A tragédia no Japão começou em 11 de março com o mais violento terremoto já registrado no país: 9 graus na escala Richter. A ele, seguiu-se o tsunami que arrasou a costa nordeste do território.
A jornalista também destaca a solidariedade mundial com os japoneses e o papel de jornais alternativos para as comunidades existentes no Brasil. Para ela, a maioria dos jornais não dão muito espaço para questões migratórias. “A importância das publicações voltadas aos imigrantes é que elas informam sobre assuntos não destacados na grande imprensa”.
Acervo
O Museu da Imigração do Estado de São Paulo também disponibiliza, além de seu sobre história da imprensa paulista, um , que conta com versão em espanhol e inglês, e a , que possui um player com canais de vários países contendo músicas representativas sugeridas por comunidades.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves.

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