A rotina dos jornalistas equatorianos mudou com a consolidação da Lei de Comunicação no Equador. Quem diz isso são os próprios profissionais. Com a pressão do governo de Rafael Correa sobre os conteúdos publicados pela imprensa do país, redações de jornais e revistas se preparam para não sofrerem retaliações governamentais. “Estamos aproveitando para fortalecer a qualidade e oxigenar a agenda”, diz o chefe de investigação do El Comercio , Arturo Torres.
Crédito:Reprodução Imprensa tem se autocensurado após Lei de Comunicação de Rafael Correa
Segundo o El País , quatro jornais equatorianos esperam para serem julgados por divulgarem todos os detalhes da viagem que o presidente Rafael Correa fez ao Chile nos dias 13 e 14 de maio. Esta é apenas uma das 125 denúncias feitas contra os meios de comunicação depois de um ano da implantação da Lei de Comunicação.
A medida é o principal método de pressão do governo equatoriano contra a imprensa e tem gerado consequências no trabalho dos periódicos. Um dos afetados foi o Hoy , que decidiu parar de publicar a edição impressa por conta da "gradual perda de liberdades" e da asfixia econômica, conforme afirma o diretor Jaime Mantilla.
Com o trabalho dificultado pelas ameaças de sanções e punições, parte dos meios de comunicação e seus jornalistas aparecem estar desanimados. No entanto, um encontro organizado na semana passada pela Fundação Andina para a Observação e Estudos de Meios fez ressalvas à ausência de reportagens investigativas nos veículos e a priorização de temas menos polêmicos ou que não tocam o governo do país.
"Não se pode publicar notícias judiciais em início de investigação nem documentos com caráter reservado. Há artigos da Lei de Comunicação que limitam isso. A responsabilidade subsidiária faz com que os meios tenham restrições para publicar certas coisas pelas multas", comenta um jornalista que pediu anonimato.
Muitas apurações estão paradas pela impossibilidade de acesso aos funcionários públicos. "A lei diz que todas as notícias devem ser contextualizadas, verificadas e contrastadas, mas continua sendo uma prática não dar entrevistas nem informação aos jornalistas dos meios privados", denuncia a jornalista.
A grande dificuldade para os meios, de acordo com o jurista Mauricio Alarcón, da Fundação Andina para a Observação e o Estudo de Meios (Fundamedios), está no artigo mais polêmico da lei, relacionado com as normas deontológicas, onde “estão fundamentadas as ações por conteúdos discriminatórios ou incoerência de manchetes noticiosas”.
Os novos valores influenciaram o trabalho dos jornalistas, diz o chefe de investigação do El Comercio , Arturo Torres. Para ele, o ambiente nas redações ficou estranho depois da aprovação da Lei de Comunicação.
O novo ambiente de trabalho é caracterizado pelo diretor da Fundação Andina para a Observação e Estudos de Meios como um clima de autocensura. "Os meios têm equipes de advogados que revisam cada nota, o critério jornalístico não é mais o principal, o ator jurídico determina as publicações", explica. Em contrapartida, o superintendente da Comunicação do Equador avalia o novo comportamento da imprensa como prudente.
Crédito:Reprodução Imprensa tem se autocensurado após Lei de Comunicação de Rafael Correa
Segundo o El País , quatro jornais equatorianos esperam para serem julgados por divulgarem todos os detalhes da viagem que o presidente Rafael Correa fez ao Chile nos dias 13 e 14 de maio. Esta é apenas uma das 125 denúncias feitas contra os meios de comunicação depois de um ano da implantação da Lei de Comunicação.
A medida é o principal método de pressão do governo equatoriano contra a imprensa e tem gerado consequências no trabalho dos periódicos. Um dos afetados foi o Hoy , que decidiu parar de publicar a edição impressa por conta da "gradual perda de liberdades" e da asfixia econômica, conforme afirma o diretor Jaime Mantilla.
Com o trabalho dificultado pelas ameaças de sanções e punições, parte dos meios de comunicação e seus jornalistas aparecem estar desanimados. No entanto, um encontro organizado na semana passada pela Fundação Andina para a Observação e Estudos de Meios fez ressalvas à ausência de reportagens investigativas nos veículos e a priorização de temas menos polêmicos ou que não tocam o governo do país.
"Não se pode publicar notícias judiciais em início de investigação nem documentos com caráter reservado. Há artigos da Lei de Comunicação que limitam isso. A responsabilidade subsidiária faz com que os meios tenham restrições para publicar certas coisas pelas multas", comenta um jornalista que pediu anonimato.
Muitas apurações estão paradas pela impossibilidade de acesso aos funcionários públicos. "A lei diz que todas as notícias devem ser contextualizadas, verificadas e contrastadas, mas continua sendo uma prática não dar entrevistas nem informação aos jornalistas dos meios privados", denuncia a jornalista.
A grande dificuldade para os meios, de acordo com o jurista Mauricio Alarcón, da Fundação Andina para a Observação e o Estudo de Meios (Fundamedios), está no artigo mais polêmico da lei, relacionado com as normas deontológicas, onde “estão fundamentadas as ações por conteúdos discriminatórios ou incoerência de manchetes noticiosas”.
Os novos valores influenciaram o trabalho dos jornalistas, diz o chefe de investigação do El Comercio , Arturo Torres. Para ele, o ambiente nas redações ficou estranho depois da aprovação da Lei de Comunicação.
O novo ambiente de trabalho é caracterizado pelo diretor da Fundação Andina para a Observação e Estudos de Meios como um clima de autocensura. "Os meios têm equipes de advogados que revisam cada nota, o critério jornalístico não é mais o principal, o ator jurídico determina as publicações", explica. Em contrapartida, o superintendente da Comunicação do Equador avalia o novo comportamento da imprensa como prudente.

