Crédito:Leo Garbin
is um mantra clássico do jornalismo, usado pelas corporações de mídia, como resposta para toda insatisfação com a linha editorial adotada por elas. No passado, esse desafio da mídia corporativa era enfrentado por uma imprensa alternativa, que, salvo por alguns casos excepcionais de boa circulação (O Pasquim, sobretudo), nunca atingiu uma escala efetivamente concorrencial.
Também era chamada de “imprensa nanica”, embora o seu nanismo não fosse exatamente uma opção e sim decorrência de seu desinteresse pela dimensão negocial da atividade (nos veículos vinculados a correntes políticas) ou da impossibilidade objetiva de atrair anunciantes e investidores, que não compram apenas a circulação/ alcance/audiência dos veículos, mas também (ou acima de tudo) a afinidade deles com o pensamento empresarial.
Resultava disso que conviviam em relativa harmonia a mídia corporativa e a imprensa alternativa, cada qual no seu canto, falando para os seus, sem hostilidades mútuas. O armistício era favorecido pela ditadura, o inimigo comum e prioritário a vencer. Havia até alguma cooperação, pois muitos jornalistas que trabalhavam nos jornalões também editavam nanicos.
Isso não nos pertence mais. Agora, em tempos de internet, redes sociais e enorme facilidade de publicar, que são também tempos de hegemonia “neoconservadora” na mídia corporativa e de crescente polarização política no país, os campos estão mais divididos e inconciliáveis que nunca.
Não há mais convivência democrática, senão guerra aberta. A imprensa alternativa agigantou-se numa profusão de sites, blogs e perfis que vão do centro à esquerda, e travam o debate político e cultural tendo por alvo, prioritariamente, a mídia corporativa, convertida em agência de formulação ideológica e programática para correntes políticas do centro à direita. E esta reage com a criminalização dos “neonanicos”, reiteradamente tratados como veículos ilegítimos, comprados pelo governo.
Judicializando o confronto, ela leva os alternativos aos tribunais e usa seu peso político e econômico para tentar esmagá-los. Em meio ao tiroteio, encontram-se os jornalistas profissionais. Aturdidos, agoniados, divididos. Veem seu espaço de trabalho invadido por todos os lados, por hordas de paisanos. Veem os valores da profissão se esboroando e a qualidade técnica da informação produzida desabando.
Muitos já duvidam do que antes era fé inabalável: a utilidade social do jornalismo. De um modo ou de outro, todos sabemos como chegamos a isso. A questão é se também saberemos sair.

Também era chamada de “imprensa nanica”, embora o seu nanismo não fosse exatamente uma opção e sim decorrência de seu desinteresse pela dimensão negocial da atividade (nos veículos vinculados a correntes políticas) ou da impossibilidade objetiva de atrair anunciantes e investidores, que não compram apenas a circulação/ alcance/audiência dos veículos, mas também (ou acima de tudo) a afinidade deles com o pensamento empresarial.
Resultava disso que conviviam em relativa harmonia a mídia corporativa e a imprensa alternativa, cada qual no seu canto, falando para os seus, sem hostilidades mútuas. O armistício era favorecido pela ditadura, o inimigo comum e prioritário a vencer. Havia até alguma cooperação, pois muitos jornalistas que trabalhavam nos jornalões também editavam nanicos.
Isso não nos pertence mais. Agora, em tempos de internet, redes sociais e enorme facilidade de publicar, que são também tempos de hegemonia “neoconservadora” na mídia corporativa e de crescente polarização política no país, os campos estão mais divididos e inconciliáveis que nunca.
Não há mais convivência democrática, senão guerra aberta. A imprensa alternativa agigantou-se numa profusão de sites, blogs e perfis que vão do centro à esquerda, e travam o debate político e cultural tendo por alvo, prioritariamente, a mídia corporativa, convertida em agência de formulação ideológica e programática para correntes políticas do centro à direita. E esta reage com a criminalização dos “neonanicos”, reiteradamente tratados como veículos ilegítimos, comprados pelo governo.
Judicializando o confronto, ela leva os alternativos aos tribunais e usa seu peso político e econômico para tentar esmagá-los. Em meio ao tiroteio, encontram-se os jornalistas profissionais. Aturdidos, agoniados, divididos. Veem seu espaço de trabalho invadido por todos os lados, por hordas de paisanos. Veem os valores da profissão se esboroando e a qualidade técnica da informação produzida desabando.
Muitos já duvidam do que antes era fé inabalável: a utilidade social do jornalismo. De um modo ou de outro, todos sabemos como chegamos a isso. A questão é se também saberemos sair.



