Imprensa boliviana ameaça denunciar Evo Morales por restrições à liberdade de expressão
Imprensa boliviana ameaça denunciar Evo Morales por restrições à liberdade de expressão
Sindicatos de jornalistas da Bolívia e meios de comunicação privados do país ameaçaram denúnciar o presidente Evo Morales na Organização dos Estados Americanos (OEA) e nas Nações Unidas (ONU) por ameaças à liberdade de imprensa. O anúncio foi feito na última quarta-feira (06), após a apresentação de um projeto de lei no Congresso boliviano que determina o fechamento de órgãos de imprensa que difundam "ideias racistas e discriminatórias".
Segundo informações das agências AFP e Efe, o projeto já foi aprovado na Câmara dos Deputados, onde o governo é maioria, e aguarda aprovação do Senado.
O secretário executivo da Associação Nacional de Imprensa (ANP, sigla em espanhol), afirmou que, caso o plano seja aprovado, será "como uma lápide de uma tonelada sobre a liberdade de expressão na Bolívia.
Na última terça (05), diretores da ANP se reuniram com o presidente boliviano pedindo mudanças no texto do projeto de lei. O líder havia prometido a retirada do artigo 23, que determinava que jornalistas e proprietários de veículos de comunicação não poderiam recorrer a nenhum foro judicial contra acusações de racismo. Porém, a versão enviada para votação no Senado estava sem alterações.
A entidade afirmou que não se opõe à criação de leis que combatam o racismo no país, mas declarou que Morales se refere aos jornais e profissionais de imprensa como "racistas".
Jornalistas de várias cidades da Bolívia iniciaram uma série de manifestações de rua e até mesmo greve de fome contra a proposta do governo, que atende a antigas reivindicações de grupos indígenas, que são maioria no país. Para os profissionais de mídia, a nova legislação seria uma forma de o Estado silenciar qualquer crítica feita ao governo.
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