Estadão lança livro-reportagem sobre história da ditadura militar no jornal
Estadão lança livro-reportagem sobre história da ditadura militar no jornal
Estadão lança livro-reportagem sobre história da ditadura militar no jornal
O livro-reportagem "Mordaça no Estadão ", de autoria do jornalista José Maria Mayrink, retrata a história da ditadura militar no jornal, iniciada em 13 de dezembro de 1968. A obra explica que O Estado de S. Paulo e Jornal da Tarde foram os únicos jornais diários que tiveram presença física constante dos censores nas redações.
"A iniciativa do livro é uma contribuição à memória do país, especialmente para as novas gerações, e à preservação dos valores da liberdade de expressão", diz Ricardo Gandour, diretor de Conteúdo do Grupo Estado.
Para a confecção do livro, Mayrink ouviu depoimentos de mais de 40 testemunhas, em sua maioria jornalistas que trabalharam nas redações do Estadão e do JT na época. São reproduzidas dezenas de páginas com o material censurado - textos, fotos e charges - que era substituído por poemas (no Estadão ) e receitas culinárias (no JT ). O jornalista tentou também ouvir alguns dos censores que atuaram nas redações, mas nenhum quis falar.
"O livro se baseia principalmente em depoimentos e reportagens. Foram dois meses de pesquisa e entrevistas para contar a história dos que sofreram com a repressão de maneira coletiva, no caso de matérias cortadas, ou particularmente, com censuras individuais e prisões e torturas, como os colegas Carlos Garcia e Luiz Paulo Costa, entre outros", diz o autor, que entrou na redação do JT dias depois da assinatura do Ato Institucional nº 5, que instituiu a censura no Brasil.
Os jornais O Estado de S. Paulo e JT tiveram edições apreendidas e passaram a sofrer severa vigilância dos órgãos de segurança do regime militar. Daí por diante a presença de agentes da Polícia Federal na redação seria constante, impedindo a divulgação de notícias de toda sorte.
E, como forma de mostrar a indignação dos veículos a essas forças nefastas, os jornais criaram um código que revelava para o leitor a existência da censura. Anúncios estranhos, poemas e receitas culinárias eram publicados em locais nada usuais, despertando o leitor para a existência de irregularidades.
Como forma de lembrar à geração atual e não deixar que as futuras esqueçam esse período, o Estadão lança, na próxima segunda-feira (15), às 19h, na Livraria Cultura (Avenida Paulista, 2.073), o livro-reportagem "Mordaça no Estadão ".






