Clarín e La Nación são carcarás midiáticos, diz Cristina Kirchner

Clarín e La Nación são carcarás midiáticos, diz Cristina Kirchner

Atualizado em 26/10/2010 às 08:10, por Redação Portal IMPRENSA.

Clarín e La Nación são carcarás midiáticos, diz Cristina Kirchner

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, acusou os jornais oposicionistas Clarín e La Nación de fazer uso político da morte do militante esquerdista Mariano Ferreyra, e classificou as duas publicações de "carcarás midiáticos".

De acordo com a Folha.com, as declarações da líder foram feitas depois que os veículos publicaram fotos em que ministros argentinos, como o da Educação, Alberto Sileoni, e o da Economia, Amado Boudou, aparecem ao lado de Cristian Favale, suspeito de ter assassinado o militante.

Na última semana, Ferreyra foi morto a tiros durante um protesto trabalhista de ferroviários terceirizados. A manifestação foi reprimida com violência por um grupo supostamente ligado a um sindicato do setor.

O caso da morte do esquerdista teve grande repercussão na Argentina, além de gerar uma forte pressão política sobre o governo, acusado de ter tolerado a violência em troca do apoio de dirigentes sindicais.

Favale se entregou às autoridades no último domingo (24), após ter tido a prisão decretada.

Ao chamar o Clarín e o La Nación de "carcarás", Cristina explicou que usou o termo pois a ave é associada à morte e "que também come carne podre". Segundo a presidente, as fotos publicadas pelos jornais são "ocasionais", e foram tiradas em um encontro aberto ao público na Casa Rosada, e que é realizado rotineiramente.

A briga entre os dois veículos oposicionistas e a líder argentina ganhou força a partir de 2008. Nos últimos anos, Cristina e o marido, o ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner, teriam favorecido grupos de mídia alinhados com o governo.

Além disso, a presidente denunciou o Clarín e o La Nación por crimes contra a humanidade e por terem adquirido, de forma ilegal, as ações da Papel Prensa, a maior produtora de papel-jornal do país, durante a década de 1970.

Um projeto de lei argentino pode obrigar as duas publicações a venderem parte de suas ações da produtora, que é responsável por atender 76% da demanda nacional, para se adequar a um artigo, acrescentado pelo Congresso, que prevê limite acionário de 10% para os veículos de comunicação na empresa.

No domingo, a associação que reúne as empresas jornalísticas argentina divulgou comunicado em que acusa o governo Kirchner de tentar "asfixiar e controlar a imprensa independente" do país. No texto, a entidade afirma que Cristina teria montado uma operação para obter o controle da Papel Prensa, que tem entre seus principais acionistas os dois jornais e o Estado.
Leia mais

-
-
-
-