Herdeiros do grupo Clarín fazem teste de DNA

A Justiça argentina determinou que os filhos adotivos da dona do grupo Clarín, Ernestina de Noble, façam teste de DNA para verificar se foram "roubados" na ditadura

Atualizado em 03/06/2011 às 12:06, por Redação Portal IMPRENSA.

A Justiça argentina deliberou, na última quinta-feira (2), que os herdeiros do grupo Clarín, Felipe e Marcela, devem ser submetidos, mesmo contra vontade, à um teste de DNA para comprovar serem filhos biológicos de desaparecidos políticos no período da ditadura argentina (1976-1983), informa
Adotados pela empresária e dona do maior grupo de comunicação na Argentina, Ernestina Herrera de Noble, os herdeiros terão de se submeter ao teste, após a entrada na justiça pela entidade de direitos humanos Avós e Mães de Maio. Eles querem investigar se as crianças foram "roubadas", durante o período da ditadura. Nessa época, cerca de 500 bebês, filhos de desaparecidos, foram roubados durante a ditadura, segundo as Avós da Praça de Maio, cujo trabalho permitiu encontrar 103 deles, informa a
"Se eles não quiserem ir espontaneamente, serão levados pela força pública. Quer dizer, pela polícia", disse Alan Lud, advogado da entidade de direitos humanos Avós da Praça de Maio, em entrevista para a rede . Segundo Lud, os filhos ainda poderão recorrer na Suprema Corte de Justiça.
Marcela e Felipe dizem sentir-se vítimas de perseguição, e afirmam que a adoção de ambos foi legal. O advogado dos irmãos afirmou que eles já fizeram testes de DNA antes e que o resultado dos exames foi negativo. As Avós de Maio querem que o material genético deles seja comparado ao bando de dados genético da entidade.
É a primeira vez que a Justiça argentina determina um teste compulsório. Em 2009, outro caso sobre o reconhecimento de filhos de desaparecidos políticos foi julgado na Suprema Corte, que na ocasião definiu que "o Estado não pode obrigar a extração compulsiva de sangue", informa o site do G1. No caso dos herdeiros do Clarín, esta decisão não influencia este caso