Hemingway: 50 anos da morte de um dos poucos jornalistas admirados em Cuba

O fim do escritor e jornalista nascido em Oak Park, estado americano de llinois, Ernest Miller Hemingway, foi trágico. Em julho de 1961, suicidou-se com um tiro de espingarda aos 61 anos de idade em Ketchum (EUA).

Atualizado em 04/07/2011 às 17:07, por Luiz Gustavo Pacete.

No último dia 02, o mundo relembrou os 50 anos da morte de Hemingway. Entre vários projetos para comemorar a data está o , desenvolvido pela Universidade do Estado da Pensilvânia que reuniu seis mil cartas de autoria do escritor.
Crédito: Divulgação Estátua de Hemingway no La Floridita, um dos bares preferidos do jornalista em Havana
Segundo a professora Sandra Spanier, acadêmica responsável pelo projeto, as cartas foram obtidas de 250 fontes, de 70 bibliotecas e museus, além de 175 colecionadores. Em entrevista à Folha de S.Paulo, Sandra destaca que 85% do material coletado é exclusivo. A primeira parte do conteúdo vai virar uma publicação no mês de outubro pela Cambridge University, um dos fatos mais importantes nos 50 anos depois que Hemingway morreu. Hemingway esteve nas duas grandes guerras mundiais e também na Guerra Civil Espanhola. Entre seus clássicos estão "O Velho e o Mar", "Adeus às Armas" e "O Sol Também se Levanta". O conjunto da obra lhe renderia o Nobel de Literatura em 1954.
Presença na Ilha
Hemingway passou duas décadas de sua vida em Cuba. Foi ali, sob o sol do caribe, que ele buscou inspiração e encontrou no modelo político da ilha o que desejava como solução daquilo que vivenciou em sua infância. Mesmo sendo filho de um médico, Hemingway conviveu com a pobreza e a dureza da região onde nasceu e cresceu.
Crédito: The Ernest Hemingway Memorial Institute
Ainda hoje, basta conversar com escritores, intelectuais e jornalistas cubanos, para perceber a importância da memória e do trabalho do escritor para o país. Assim como os símbolos e imagens da propaganda castrista, Hemingway aparece nas livrarias, bibliotecas e principalmente no roteiro turístico estampado em camisetas e chapéus. O hotel Ambos Mundos aproveita turisticamente o fato de ter sido a residência de Hemingway durante sua permanência em Cuba, entre 1939 e 1960.
E o badalado bar "Floridita", em Havana, dedica a ele uma estátua, inclinando-se no balcão onde um daiquiri especial foi dedicado ao escritor. Ali era um de seus lugares preferidos em Havana "Meu daiquiri no Floridita, meu mojito na Bodeguita", escreveu Hemingway.
Quando esteve em Cuba, em outubro de 2010, IMPRENSA percebeu nas ruas de Havana e conversando com pessoas do meio literário, o significado de Hemingway para aquele país. Na perspectiva do escritor e presidente da Associação de Escritores de Havana, Francisco Correa, "Hemingway é muito mais do que um amigo de Fidel, mesmo para aqueles que se posicionam contra o castrismo, Hemingway está presente com sua escrita. Até hoje uma das maiores demonstrações de amizade entre países com históricos tão conturbados. Uma espécie de elo em meio a um histórico de antagonismos e conflitos entre Estados Unidos e Cuba", lembra.