Há quase 100 anos orientando jovens, por Renata Perre (Mackenzie-SP)
Há quase 100 anos orientando jovens, por Renata Perre (Mackenzie-SP)
Um espaço educacional onde crianças e adolescentes têm a oportunidade de preencher o tempo através de ações complementares da escola e realizar atividades ligadas ao lazer como dança, pintura e esporte, é a proposta do Lar Anália Franco localizado há 92 anos na cidade de Jundiaí.
A instituição criada pela filha de fazendeiros, a professora Anália Franco, foi a única que persistiu, com os moldes iniciais de aprendizagem, dos outros 101 estabelecimentos também fundados por Anália em várias cidades. A instituição acredita que ao se empenhar nessas atividades, como teatro, leitura, pintura, esporte, saúde, etc, irá possibilitar à criança uma conscientização de que ela tem condições de ampliar seus conhecimentos e optar por outros caminhos ao invés do tráfico ou da marginalização. "O nosso projeto aqui não é tirar a criança da rua é não deixar ela chegar a ir para a rua" afirma a coordenadora pedagógica Eliana Neri que trabalha no Lar há oito anos. "A criança que freqüenta o instituto tem a oportunidade de quebrar o estigma de que todo mundo que mora na favela é ladrão ou bandido e interagir de forma diferenciada" completa.
O Lar oferece quatro projetos diferenciados por faixa etária. O do Menor Aprendiz, que é quando o adolescente está na 8ª série e completa 14 anos, possibilita a sua ida para o comércio. "O projeto acaba indo até 16 anos porque ele sai daqui com 14, mas a instituição continua monitorando". Outro projeto é o de Renda Familiar, aonde as mães das crianças vêm para o Lar, fazem bombons trufados e ficam com a renda. "É um momento não apenas de fazer trufa, mas de socializarem e sair um pouco dos lugares malucos em que vivem". A maior dificuldade do Lar é a sua manutenção. "Temos muitas despesas. Queríamos ter mais crianças, mas infelizmente não podemos", alega a coordenadora. A instituição se mantém através de verbas doadas pelos sócios contribuintes que depositam a cada mês um valor mínimo de cinco reais. "Fala-se muito sobre voluntariado, mas sonha-se a instituição que tenha bastante voluntários". O lar possui parceria com algumas faculdades locais, além do hospital universitário da Faculdade Medicina de Jundiaí, na qual médicos residentes atendem às crianças, e também com a Secretaria de Educação e com a merenda básica.
Ao todo são 160 crianças que convivem no local, têm aulas, tomam banho, almoçam, lancham e também fazem eventos culturais para a cidade, como o "Chá & Arte". Este é um momento de descontração ao qual as mães comparecem, trazem um prato de doce ou salgado, tomam chá e recebem lembranças que as crianças fizeram, além das apresentações culturais. Para Eliana "é tudo muito bonito, colorido, e é justamente isto que eles não têm". "A gente que é professora e trabalha com essa clientela de risco percebe que ao proporcionar a estas crianças coisas bonitas, um ambiente saudável e limpo, um papel colorido, um caderno encapadinho, elas se deslumbram com a aprendizagem" revela. A coordenadora afirma que há uma falsa idéia da população em achar que estas crianças por serem pobres não possuem um interesse em obter materiais de qualidade. "Não podemos colocá-los lá embaixo na pirâmide, temos que oferecer o melhor". As crianças agradecem.






