Governo Kirchner articula para controlar jornais, segundo imprensa argentina
Governo Kirchner articula para controlar jornais, segundo imprensa argentina
O governo da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, tem intenção de controlar os jornais do país por meio da empresa Papel Prensa, que detém o monopólio de distribuição de papel para publicação de periódicos argentinos.
A pretensão de Kirchner foi revelada pelo secretário de Comérico Exterior, Guillermo Moreno, que teria anunciado que o governo possui um plano para tornar-se donatário da maior parte doa ativos da Papel Prensa, segundo informações dos jornais Clarín e La Nación .
O anúncio dos supostos planos do governo acontece às vésperas da votação da Lei da Mídia no Senado, que gera discussões acaloradas entre a imprensa e a base governista. A lei, que será posta em plenário na próxima sexta-feira (9), trata de restrições para atividade de emissoras de TV e de rádio e permite, em tese, o surgimento de novos grupos de mídia aliados ao casal Kirchner, segundo avalia o jornalista Ariel Palácios em reportagem ao jornal O Estado de S.Paulo .
O principal alvo da lei é o Grupo Clarín, com o qual o governo dos Kirchner cultiva peculiar relação conturbada desde o ano passado. Até as denúncias sobre o suposto plano da presidência, esperava-se que a Lei de Mídia fosse aprovada na sessão de sexta.
A Papel Prensa é controlado pelo Grupo Clarín, que detém 49% das ações, pelo La Nación , que possui 22,49%, e o próprio Estado argentino, que, por ora, é dono de 27,46% da companhia. A empresa abastece quase que todo o mercado de periódicos da Argentina.
Quebrando "colunas vertebrais"
Guillermo Moreno, famoso por iniciar debates com empresários colocando sua arma em cima da mesa, afirmou, durante reunião com os diretores da Papel Prensa, em 14 de setembro, que o governo pretende intervir na empresa, e ressaltou, que para colocar o plano em prática, "tentará achar a maneira de reduzir seu valor para comprá-la ou desapropriá-la".
O secretário revelou que a medida seria tomada por "expressas instruções da senhora presidente" da República. Ele não descartou, ainda, que o governo possa baixar um decreto ou utilizar os sindicatos "mais agressivos" para conseguir aplicar o plano de controle majoritário sobre a Papel Prensa.
Sobre as declarações que fez na reunião, Moreno sentenciou: "tenho meus 'muchachos' (rapazes), especialistas em quebrar colunas vertebrais e arrancar os olhos de quem fale" sobre.
As declarações de Moreno foram confirmadas no último dia 30 de setembro perante um tabelião por Carlos Collaso, membro do conselho que representa o Estado na direção da Papel Prensa. Alguns dias depois, Collasso reafirmou sua versão perante o juiz federal Octavio Aráoz de Lamadrid.Dos oito diretores da empresa, três representam o Estado, um é independente e os outros quatrso pertencem ao Clarín e o La Nación .
O Grupo Clarín afirma ser "objeto de interferências ilegítimas por parte de funcionários do Poder Executivo Nacional que, além de constituir delito, colocam em grave risco a garantia constitucional da liberdade de imprensa".
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