Governo argentino tenta asfixiar e controlar imprensa independente, diz associação

Governo argentino tenta asfixiar e controlar imprensa independente, diz associação

Atualizado em 25/10/2010 às 11:10, por Redação Portal IMPRENSA.

Em comunicado divulgado no último domingo (24), a associação que reúne as empresas jornalísticas da Argentina acusou o governo do país de tentar "asfixiar e controlar a imprensa independente". A entidade reclamou, principalmente, sobre a distribuição da verba publicitária do Estado, que privilegia veículos que têm linha editorial favorável à presidente Cristina Kirchner.

Divulgação
Cristina Kirchner
No texto, divulgado pelos maiores jornais do país, a associação afirma, ainda, que o governo de Cristina teria montado uma operação para tentar controlar a maior produtora de papel-jornal da Argentina, a Papel Prensa, segundo a Folha de S.Paulo . A empresa tem entre seus principais acionistas o Grupo Clarín - dono do jornal Clarín -, o La Nación e o próprio Estado argentino.

Desde 2008, a líder argentina e seu marido, o ex-presidente Néstor Kirchner, mantém uma relação tensa com os meios de comunicação. Nos últimos anos, o casal teria favorecido grupos de mídia alinhados com o governo. Além disso, a Casa Rosada denunciou o Grupo Clarín e o jornal La Nación por terem adquirido ações da Papel Prensa, de forma ilegal.

Um projeto de lei argentino pode obrigar o Clarín e o La Nación a venderem parte de suas ações da produtora de papel-jornal, que é responsável por atender 76% da demanda nacional. Na última terça (19), o Congresso acrescentou um artigo que prevê limite acionário de 10% para os veículos de comunicação na produtora de papel-jornal.

A nova legislação também obrigaria a Papel Prensa a oferecer as mesmas condições de preços e prazos a todos os veículos e ter sua gestão fiscalizada por uma comissão parlamentar.

Na última semana, a Cristina propôs a "nacionalização" dos meios de comunicação do país alegando que eles não defendem os interesses do país. Mesmo ressaltando que tem sido vítima de "ataques dos meios de comunicação", a líder deixou claro que não pretende "estatizar" a imprensa argentina.
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